quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Vice-prefeito gera mal-estar com vereadores e desafia cidadão em audiência pública

Toni Cunha, de Marabá, lamentou falta de apoio de vereadores em sua campanha e foi rechaçado por vários delesO vice-prefeito Toni Cunha (PTB), recentemente eleito deputado estadual, protagonizou dois embates inesperados durante audiência pública de prestação de contas do 2º Quadrimestre deste ano de 2018 da Prefeitura de Marabá ao Poder Legislativo. Após a apresentação do relatório, feito pelo secretário municipal de Planejamento, Karam El Hajjar, foi dado espaço para quem quisesse fazer questionamentos sobre os números.
O primeiro a usar a palavra foi justamente o vice-prefeito, na ausência do titular, Tião Miranda, que não foi ao evento em função de um problema de saúde. Toni, que é delegado licenciado da Polícia Federal, agradeceu publicamente os quase 27 mil votos que teve em Marabá para deputado estadual no dia 7 deste mês e lamentou que apenas um vereador – Márcio do São Félix – o tenha apoiado na campanha. “Gostaria de ter merecido um apoio maior da Câmara Municipal pela nossa história de luta e de vida no governo, mas infelizmente isso não foi possível. Isso é da vida democrática. Meu mandato está à disposição de Marabá, do povo desta cidade, dos vereadores e dos outros 89 municípios onde surpreendentemente recebi votos. Marabá correu o risco de ficar sem um representante genuíno, porque somente a votação que tive possibilitaria a representação de um deputado genuinamente de Marabá”.
Essa primeira fala causou dissabores e o vereador Miguel Gomes Filho usou a tribuna para dizer que não apenas ele, Toni, mas também Dirceu ten Caten e Wenderson Chamon, o Chamonzinho, nasceram em Marabá, o que descaracterizaria que ele seria o único genuíno deste município.
Outros vereadores também se manifestaram em relação ao discurso do vice-prefeito, ressalvando que cada um dos 21 legisladores de Marabá apoiou os candidatos que achou mais adequado naquele momento, já que todos vivem numa democracia. E o fogo amigo de grosso calibre veio logo do colega de partido, Pedro Corrêa (PTB), presidente da Câmara Municipal: “Ninguém é unanimidade na política. Nenhum de nós está acima da Constituição e temos de aceitar a democracia e o livre arbítrio. A forma como você, vice-prefeito, se portou com os vereadores, foi indelicada, porque essa Casa é parceira do Poder Executivo”.
Logo em seguida, Toni disse que foi mal interpretado e que não quis, de forma alguma, afrontar os vereadores e que não cobrou nada de ninguém, tendo feito apenas um comentário relacionado à eleição. Todavia, na réplica, disse que apoiou Pedro Corrêa para disputar a Presidência da Câmara e que esperava reciprocidade.
“Vamos ao MP?”
Ainda no calor da discussão da prestação de contas do Executivo, o cidadão Handes Dias Torres não questionou os dados apresentados por Karam, mas criticou os vereadores que elogiam o prefeito Tião Miranda e ameaçou fazer denúncias sobre a gestão, restringindo-se a dizer que sua rua estava esquecida, mal cuidada, e ainda pediu investigação em relação a um contrato da Prefeitura com uma entidade social. A forma ríspida com que o rapaz apresentou suas queixas, uma denúncia requentada e outra sem dar nomes às pessoas que as teriam supostamente praticado deixou muita gente incomodada, entre elas Toni Cunha. “Moro na rua do prefeito e chamo qualquer um para me visitar e dizer se a rua presta”, desafiou Handes.
Ao usar da palavra, logo em seguida, o vice-prefeito foi duro com Handes Torres e disse que esta não é a primeira vez que ele foi à Câmara fazer discurso daquela natureza e alertou que pode ser processado por difamação. Enquanto falava, Toni era interrompido por Handes, e o vice-prefeito o mandou “calar a boca”. Depois, o desafiou a saírem dali, os dois, e irem direto ao Ministério Público Estadual para que o rapaz apresentasse suas denúncias diretamente a um promotor de Justiça.
A Reportagem do blog acompanhou a chegada de ambos ao MPE, onde Handes foi ouvido por um assessor do promotor Júlio César Costa, da probidade administrativa. Ele revelou que estaria sendo ameaçado por André de Souza Silva, da ONG Futuro Melhor, apontou que a entidade Funcad, outra Organização Social, estaria irregular perante a Prefeitura. Hoje à tarde, o promotor Júlio César encaminhou a denúncia de ameaça à polícia civil, para investigação. As supostas denúncias de irregularidades na Prefeitura não apareceram.

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