Raimundo
Nonato: “Gosto de vida livre. De liberdade”.
- Lima Rodrigues | Colaborador do
Portal Pebinha de Açúcar
- Publicado em: 20/11/2018
Ele não é
andarilho. Segundo a Semas, “é uma pessoa em situação de rua”.
Barbudo,
geralmente vestindo uma camiseta e uma ou duas camisas por cima, calça jeans já
bastante usada, botinha de cadarço seminova e com o seu inseparável carrinho de
mão, cheio de sacola Assim, a
população de Parauapebas já se acostumou a ver pela rua o
piauiense Raimundo Nonato de Oliveira Neto, que, segundo a Secretaria
de Assistência Social (Semas), “não é andarilho e sim pessoa em
situação de rua”. Ele me disse que há 20 anos circula pelo Pará,
mas em Parauapebas já está há uns quatro anos. “Estive
aqui outras três vezes”, explicou.
A Semas
presta serviço de assistência na área de política social, na mesma situação
do “Seu” Raimundo, para cerca de 30 pessoas atualmente
em Parauapebas, e ele vem sendo acompanhado há muito tempo por
técnicos da Semas com todo carinho do mundo. Ele inclusive já foi cadastrado no
Creas, recebe R$ 89,00 por mês do Programa Bolsa Família e em fevereiro de
2019, também por intermédio da Semas, será dada entrada em um novo pedido
de “Benefício de Proteção Continuada” (BPC), já que o primeiro
não foi atendido pelo INSS.
Apesar de
ter familiares no Piauí, inclusive mãe, avó e um irmão, e irmãs
no Maranhão, o simpático Nonato prefere viver
livre pelo mundo. “Gosto de vida livre. De liberdade”, me disse ele
durante quase uma hora de conversa na tarde de sexta-feira, dia 16 de novembro,
à margem da Rodovia PA 275, próximo à rotatória que dá acesso ao Bairro
Paraíso, em Parauapebas (PA).
Quando me
aproximei dele e disse que era jornalista, ele perguntou: “Você é de
internet?”.Respondi que produzia e apresentava o programa Conexão
Rural na Rede TV e que colaborava com o Portal Pebinha de
Açúcar. Expliquei que após descobrir a família do ex-andarilho Gabriel em Formosa
(GO) e em Brasília, muitas pessoas sugeriram que eu
contasse sua história.
– Era
aquele moço que andava maltrapilho pelas ruas de Parauapebas, afirmei.
– Ah! Ouvi falar desse caso. Ele não tinha mais capacidade de saber se cuidar, comentou “Seu” Raimundo, referindo-se ao Gabriel.
– Ah! Ouvi falar desse caso. Ele não tinha mais capacidade de saber se cuidar, comentou “Seu” Raimundo, referindo-se ao Gabriel.
Eu já estava
gravando a conversa desde o começo, mas ele fez questão de autorizar a gravação
da entrevista: “Pode colocar o aparelho para gravar direitinho”,
disse ele, acrescentando: “O esquema da minha vida é o seguinte. Vou
lhe falar direitinho”.
Extrovertido,
boa conversa “Seu” Raimundo Nonato me contou um
pouco de sua vida.
Disse que é filho de “Seu” Geraldo e de Maria Ana de Jesus; nasceu há 65 anos em Pedro II, no Piauí. “Mas sou filho de casal separado”, fez questão de frisar. Tem um irmão chamado Ademir, que mora em Teresina, onde também mora sua mãe, dona Maria. Tem duas irmãs: Maria de Fátima Martins, que é funcionária pública, e outra, chamada Raimunda, que residem em Codó (MA). Disse que tem outras irmãs por parte de mãe, Maria do Carmo e Oneide, que moram em São Paulo. “Elas são donas de casa. Têm filhos e netos, têm a vida delas em Codó, no Maranhão, mas eu tenho uma vida tipo vida cigana. (Gargalhadas). Só não aceito é mexer com elas em termos de pedir ajuda. Eles (familiares) têm outro padrão de vida”, afirmou.
Disse que é filho de “Seu” Geraldo e de Maria Ana de Jesus; nasceu há 65 anos em Pedro II, no Piauí. “Mas sou filho de casal separado”, fez questão de frisar. Tem um irmão chamado Ademir, que mora em Teresina, onde também mora sua mãe, dona Maria. Tem duas irmãs: Maria de Fátima Martins, que é funcionária pública, e outra, chamada Raimunda, que residem em Codó (MA). Disse que tem outras irmãs por parte de mãe, Maria do Carmo e Oneide, que moram em São Paulo. “Elas são donas de casa. Têm filhos e netos, têm a vida delas em Codó, no Maranhão, mas eu tenho uma vida tipo vida cigana. (Gargalhadas). Só não aceito é mexer com elas em termos de pedir ajuda. Eles (familiares) têm outro padrão de vida”, afirmou.
Vale ressaltar
que a família já tentou convencê-lo a voltar para o Piauí,
mas “Seu” Raimundo Nonato não quis. A própria
Semas tem dado toda assistência para ele, dentro das normas governamentais de
políticas sociais.
“Seu” Raimundo disse que
é soldador profissional. “De vez em quando soldo umas cadeiras por aí.
Tenho máquina de solda e tudo”, revelou, fazendo questão de dizer que já
trabalhou “fichado” em grandes empresas, entre elas Camargo
Correia, Queiroz Galvão e Odebrecht. Fala com alegria do período em que trabalhou
na construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (PA).
“Quando
eu era novo entrei em muitas empresas”, informou, e em seguida mostrou a carteira profissional, que
anda enrolada em três sacos plásticos e por baixo das camisas que veste enfiada
na cintura por dentro da calça. Outros documentos ele guarda bem embrulhados
dentro de sacos plásticos e pastas de papel.
– O
senhor estudou até que série? Quis saber….
– Tive um estudo controlado. Numa passagem da vida, lá no interior do Piauí, tive uma professora em casa, como era no interior. Numa outra onda da vida eu passei pelo Colégio João Severino, no Bairro Marquês, lá em Teresina (PI), onde passei um ano. Depois, tive em outro colégio em Pirapema, no Maranhão, destacou.
– Tive um estudo controlado. Numa passagem da vida, lá no interior do Piauí, tive uma professora em casa, como era no interior. Numa outra onda da vida eu passei pelo Colégio João Severino, no Bairro Marquês, lá em Teresina (PI), onde passei um ano. Depois, tive em outro colégio em Pirapema, no Maranhão, destacou.
Em
seguida, ele fez questão de falar sobre sua vida profissional a partir dos 18
anos:
– Depois
de algum estudo, passei a ser maior de idade. Tive o primeiro emprego em
Teresina. Trabalhei numa garagem. Na primeira empresa trabalhei como auxiliar
de mecânico e de lavador de carro. Entrei na segunda empresa como lavador de
carro também. Saí da empresa e aí pintou a obra em Tucuruí. A construção da
barragem. Desci para Tucuruí. Rapaz novo (sorrisos). Depois trabalhei numa
firma de Belém chamada Consfara. Não existe mais. Fiquei dois anos na Consfara.
Entrei na grande Camargo Correia, onde passei onze meses. Trabalhei também numa
empresa Naval em Manaus, mas não gostei. Muito quente lá. E fui para Porto
Velho, onde trabalhei como soldador na Odebrecht. Trabalhei em Boa Vista [RR] e
até no Crato, no Ceará, disse ele, sorridente e alegre.
Em seguida,
conta sobre uma viagem que fez de volta à sua cidade natal, onde providenciou
novos documentos com a ajuda de um político que no passado fora amigo de seu
pai. “Nem todo político é ladrão. Tem político honesto sim”,
ressaltou.
Perguntei
a onde ele dorme e ele respondeu com tranquilidade.
– Moro em
um quartinho alugado. Já passei por vários quartinhos. Tenho fogão e panela.
Tenho minhas coisas.
Perguntei se
ele catava ferro velho, latinha ou papelão na rua e “Seu” Raimundo deu
uma explicação convincente:
“Não mexo com isso. O que carrego no carrinho de mão são coisas minhas. É só para as pessoas terem noção do que eu faço e para mostrar que sou uma pessoa ocupada e que não fico só andando por aí”, informou, acrescentando que carrega água e até gelo no seu carrinho de mão.
“Não mexo com isso. O que carrego no carrinho de mão são coisas minhas. É só para as pessoas terem noção do que eu faço e para mostrar que sou uma pessoa ocupada e que não fico só andando por aí”, informou, acrescentando que carrega água e até gelo no seu carrinho de mão.
s plásticas,
garrafa d’água e até gelo.


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