
Desenvoltura
de Mourão desperta a ira de evangélicos
Grupo mostra
insatisfação com o vice após ele ir contra a transferência da embaixada
brasileira em Israel para Jerusalém
São Paulo –
O discurso independente e a desenvoltura do vice-presidente Hamilton Mourão
(PRTB) desgastaram a relação do Palácio do Planalto com o setor evangélico,
considerado fundamental na eleição do presidente Jair Bolsonaro.
Nos últimos
dias, líderes de igrejas que durante a campanha apoiaram explicitamente o
candidato do PSL e representantes do segmento no Congresso expuseram a
insatisfação com o vice, principalmente após ele se manifestar contra a
transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.
As
lideranças religiosas e parlamentares da bancada evangélica pretendem
pressionar o presidente para que ele desautorize publicamente o vice –
Bolsonaro permanece internado em São Paulo se recuperando da cirurgia para a
reconstrução do trânsito intestinal. Com 108 deputados e 10 senadores na atual Legislatura, a
Frente Parlamentar Evangélica, que tem uma atuação historicamente coesa em
defesa de suas bandeiras, terá um peso decisivo para a agenda do governo no
Congresso Nacional.
“Vamos
cobrar (do Bolsonaro) o cumprimento daquilo que foi tratado. Se o Mourão está a
serviço de algum grupo de interesse contrário a que isso aconteça, tenho
convicção que ele perdeu essa queda de braço. Mourão é um poeta calado. Sempre
que abre a boca cria um problema para o governo”, disse ao Estado o deputado
Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), principal porta-voz da Frente.
O deputado
deve assumir a presidência do grupo nos próximos dias. O atual presidente,
deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), não se reelegeu.
Os
evangélicos ficaram também incomodados com o vice por causa de uma entrevista
na qual ele defendeu que o aborto é uma escolha da mulher. O ponto central das
queixas, contudo, é a questão da mudança da embaixada brasileira de Tel-Aviv
para Jerusalém. “Esse foi um compromisso de campanha do presidente da República
com nosso seguimento. Nós não pedimos muitas coisas a ele, mas essa foi uma
delas”, disse Sóstenes.
“Por que o
Mourão, sabendo das bandeiras do Bolsonaro, não se manifestou antes da eleição?
É uma coisa feia esconder suas convicções. Faltou protocolo e ética no
exercício da função dele. Mourão está fazendo campanha para 2022, mas a ala
conservadora não vota nele nunca”, disse ao Estado o pastor Silas Malafaia,
líder da igreja evangélica Vitória em Cristo e presidente do Conselho dos
Pastores do Brasil
Veja também
Hamilton
Mourão, vice O presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, reconheceu Jerusalém capital de Israel em dezembro de
2017. Cinco meses depois, a embaixada norte-americana foi transferida para lá.
Para o bispo
e presidente do Ministério Sara Nossa Terra, Robson Rodovalho, a mudança da
embaixada “facilitaria muito” a viagem de brasileiros a Israel e estimularia a
ampliação da oferta de voos.
Os
contrários à mudança alertam para os potenciais prejuízos para as exportações
brasileiras para países árabes, que estão entre os principais importadores de
carne bovina e de frango do País. O Brasil pode também receber pressão da
comunidade internacional. Para a ONU, o status de Jerusalém deve ser decidido
em negociações de paz.
“Quando o
Bolsonaro se recuperar, nós vamos marcar uma audiência com ele. A ideia é levar
uma carta deixando claro nossa insatisfação. Hoje, o Mourão é uma instituição e
deveria guardar as opiniões para ela”, disse o deputado federal Filipe Barros
(PSL-PR). Na semana passada, outros parlamentares usaram a tribuna da Casa para
criticar publicamente o vice.
Segundo
fontes do primeiro escalão das Forças Armadas ouvidas pelo Estado, Mourão age
de forma “coerente” com o pensamento dos militares, especialmente quando faz
críticas à política externa e sinaliza que a prioridade do governo deve ser a
agenda econômica, e não a de costumes.
Ao
desautorizar o chanceler Ernesto Araújo sobre a oferta de uma base no Brasil
para os EUA, Mourão reproduziu a linha de pensamento dominante nas Forças
Armadas, que contam com sete quadros no primeiro escalão e representam um dos
pilares da administração. Procurada, a assessoria do vice disse que ele não
iria se manifestar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
NOTÍCIAS
SOBRE-presidente eleito, após votar em Brasília
BRASIL
Na condição
de presidente em exercício, Mourão recebeu no último dia 28 o embaixador da
Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, e defendeu a posição que contraria
manifestações anteriores do próprio Bolsonaro.
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