Bebianno
diz que não pretende pedir demissão e que aguarda decisão de Bolsonaro
Acusado pelo
vereador Carlos
Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, de mentir, o ministro da
Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, disse ao blog nesta
quarta-feira (13) que não pretende pedir demissão em razão do episódio.
Na
terça-feira, Bebianno negou,
em entrevista ao jornal 'O Globo', que seja o pivô de uma crise no governo.
Ele afirmou: "Não existe crise nenhuma. Só hoje falei três vezes com o
presidente". Segundo Bebianno, ele se comunicou com o presidente por meio
de um aplicativo de mensagens.
Segundo
Carlos Bolsonaro, é uma "mentira absoluta" que Bebianno tenha falado
três vezes nesta terça-feira (12) com Jair Bolsonaro enquanto o presidente
ainda estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo – Bolsonaro
recebeu alta nesta quarta e voltou para Brasília.
Para
sustentar o que chamou de "mentira", o filho do presidente divulgou
uma gravação em áudio do pai na qual ele supostamente conversa por telefone com
Bebbiano. A gravação reproduz somente a voz de Bolsonaro.
No último
domingo, reportagem do jornal "Folha de S.Paulo" informou que no ano
passado, durante a campanha eleitoral, Bebianno, então presidente do PSL,
liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata
"laranja" de Pernambuco que concorreu a uma vaga de deputada federal
e recebeu 274 votos. Blog
- Ministro, o sr. está em meio a uma crise no Palácio do Planalto. Hoje, o
vereador Carlos Bolsonaro divulgou áudio do pai dele presidente da República
para desmenti-lo. Esclareça esse episódio. O que de fato Carlos Bolsonaro está
falando?
Gustavo
Bebianno - Eu não sei, não acompanho muito as redes sociais. Eu mantive no dia
de ontem algumas conversas com o presidente, conversas institucionais. Em uma
dessas conversas, o presidente solicitou que a viagem que seria feita ao norte
do país fosse adiada por questões que serão conversadas ainda. Depois falamos
de outro assunto institucional, nada demais, não falamos de PSL, não falamos.
Blog - Ele não perguntou nada sobre
essa questão dos laranjas?
Bebianno -
Não, não me perguntou nada. Eu também não falei nada.
Blog - O
filho do presidente, na avaliação do sr., está pressionando para que o sr.
deixe o cargo?
Bebianno -
Eu não vejo isso diretamente. Nada de maneira formal chegou até mim. Eu espero
para conversar com o presidente amanhã ou depois de amanhã.
Blog - O sr.
ainda não conversou com o presidente?
Bebianno -
Não, não conversei sobre isso.
Blog - O sr.
tem a intenção, diante desse desgaste, de deixar o cargo, de se demitir?
Bebianno -
Não tenho essa intenção porque não fiz nada de errado. Meu trabalho continua
sendo em benefício do Brasil. O presidente, se entender que eu não deva mais
continuar, ele certamente vai me comunicar. Mas até aqui minha relação com ele
foi sempre a melhor possível, da minha parte tudo foi feito com honestidade,
correção e vamos esperar para ver o que acontece
Blog - O sr.
não recebeu nenhuma sinalização de que quer que o sr. deixe o cargo?
Bebbiano -
Não, até agora não
Blog -
Ministro, esta não é a primeira vez que o senhor e o filho do presidente se
estranham. Qual o pano de fundo disso? Como a gente explica?
Bebianno -
Essa pergunta tem que ser feita a ele. Da minha parte, eu sempre selei a paz, a
concórdia. O Brasil tem problemas sérios que precisam ser resolvidos. Eu
acompanhei o presidente durante toda a pré-campanha e campanha por quase dois
anos, e eu acho que é hora de trabalhar. Eu não entro nesse tipo de discussão.
Não sou homem de postar coisas em redes sociais, de ficar acompanhando redes
sociais, não faz parte da minha rotina. Então as notícias que nos chegam eu
recebo com uma certa tristeza, perplexidade, não compreendo.
Blog - O sr.
não entendeu o vazamento desse áudio?
Bebianno -
Eu não entendo. Enquanto ministro de estado, eu vou manter a minha postura , a
liturgia inerente à função e não comento esse tipo de coisa.
Blog - Ele
disse que o senhor estava mentindo. O sr. estava mentindo, ministro?
Bebianno -
Não, Andréia, eu mantive contatos com o presidente, como eu já disse. Tratamos
de um assunto institucional e de um outro assunto relacionado à viagem que
seria feita ao Pará. E essa viagem foi adiada por conta do pedido do
presidente, o que foi feito ontem. Então, o contato houve, houve troca de
mensagens por WhatsApp. Alguns poucos áudios, foi isso que aconteceu.
Blog - O sr.
agora aguarda o presidente. É isso?
Bebianno -
Eu aguardo o presidente.
Blog - O sr.
falou que sempre agiu com muita correção. O sr foi presidente do partido. Tem
uma acusação que o sr. teria liberado R$ 400 mil para uma candidata em
Pernambuco. Liberou?
Bebianno - É
humanamente impossível para uma pessoa adivinhar, saber. Foi uma eleição
majoritária e proporcional. Então, nós tivemos milhares de deputados estaduais,
candidatos a deputados estaduais, candidatos a deputado federal, senadores,
governadores. Então, humanamente impossível num país como o Brasil, de Brasília,
eu saber se determinado candidato do Amazonas, do Rio Grande do Sul, tem
condição de eleição ou não. Então, até sobre o ponto de vista legal e até de
acordo com o estatuto do PSL, quem monta a chapa são as executivas estaduais. A
montagem de chapa é uma responsabilidade de cada estado, cada diretório
estadual. E assim foi feito pelo Brasil.
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