
Buscas em
Brumadinho entram em fase de escavação profunda
Segundo o
Corpo de Bombeiros, na primeira fase as buscas focavam a superfície, mas para
enc Brumadinho (MG) –
Passadas pouco mais de duas semanas do rompimento da barragem da Vale em
Brumadinho, que já contabiliza 165 mortos, o perfil das buscas pelos
desaparecidos começa a mudar, ficando mais dependente de máquinas pesadas para
escavar em áreas muito profundas.
Segundo o
último balanço da Defesa Civil, divulgado neste domingo, 10, 160 pessoas ainda
estão desaparecidas. Mas agora encontrar corpos ou segmentos vai ficando mais
difícil. O capitão do Corpo de Bombeiros de Minas Leonard de Castro Farah
explica que os primeiros corpos a serem achados estavam mais na superfície, o
que permitia encontrá-los visualmente, “mas agora é preciso escavar, tirar tudo
o que tem embaixo e procurar”, diz.
A área da
mancha inundada tem cerca de 3,96 km² e 10 km lineares, mas alguns corpos foram
achados além da mancha, no Rio Paraopeba. Segundo Farah, os trabalhos foram
divididos em diversos quadrantes de 40 mil m², o equivalente a quatro campos de
futebol. E cada quadrante foi dividido por quatro, ou seja, as buscas de cada
equipe se concentram de cada vez em uma área de um campo de futebol.
“Na primeira
fase as buscas foram mais superficiais, de pessoas e corpos resgatados que
estavam na superfície. A nova fase agora é de fazer escavação, levando em conta
várias questões: onde será colocado o rejeito retirado, se ele está
fluidificado (com água) ou não. Se está, não dá para tirar com máquina”,
explica.
BRASIL
Equipes
ainda buscam 160 desaparecidos em tragédia da Vale em Brumadinho
query_builder10 fev 2019 - 17h02
People carry the coffin of Edmayara Samara, a victim
of a collapsed dam owned by Brazilian mining company Vale SA, during her burial
in Brumadinho
BRASIL
Sobe para
165 o número de mortos na tragédia da Vale em Brumadinho
query_builder10
fev 2019 - 16h02
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A atuação
das máquinas está concentrada no local onde ficava a usina intensiva de
tratamento de minério (ITM), nos setores próximos ao refeitório e ao clube e
nos remansos que se formaram com a passagem da onda de rejeitos. “Mas na área
da comunidade Parque da Cachoeira ainda está com muita água no terreno, e no
leito do rio de lama que foi criado. Por isso ainda não estamos entrando lá.
Estamos drenando essa água para que fique mais fácil fazer buscar”, diz.
Um dos
objetivos da nova fase é restabelecer os acessos da cidade, retirando a lama
para a mineradora destiná-la em outro lugar. “Isso exige um plano de manejo de
rejeito, que envolve várias etapas: fazemos a escavação, um militar confere o
local para ver se não tem nenhum corpo ali, um caminhão basculante leva para
outro lugar, espalha todo o rejeito, militares novamente conferem se não ficou
nada ali, levam os cães para certificarem. A mineradora só vai destinar esse
material a partir do momento que for descartada a possibilidade de haver corpos
ali”, explica.
O trabalho,
porém, está longe de ser todo mecanizado. “Quando encontramos alguma máquina
sob a lama, por exemplo, é preciso parar. Porque se tem máquina, a chance de
encontrar um corpo dentro é grande. Então deixamos de usar maquinário porque
não queremos danificar um possível corpo e o trabalho volta a ser manual”,
afirma.
Segundo ele,
é feito um trabalho investigativo antes do uso dos equipamentos, mas como
alguns pontos têm dez metros de lama, fica mais difícil ter certeza. “Através
da dinâmica do fluxo a gente vai entendendo algumas coisas. Por exemplo, no
refeitório havia uma escada gigante, eu sei onde ela foi parar, então a
tendência é que tudo o que estava no refeitório pare aqui, a tendência dos
carros no estacionamento é parar ali”, explica, mostrando o mapa com a mancha
da lama.
O trabalho
de investigação em campo é manual, com a ajuda de um “bastão de tato” – uma
barra de cobre ou de madeira usada para perfurar o solo em 2 metros a 2,5
metros. “A gente consegue sentir se bateu num metal ou num sofá. E isso também
ajuda os cães, porque cria um ‘cone de odor'”, diz.
Farah não se
arrisca a dizer quanto tempo isso tudo vai levar nem se há alguma previsão de
fim de buscas. “O que queremos é dar conforto para todas as famílias”, afirma.
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