“Lipo” nas contas: Jatene diz que não tem rombo e que tudo
foi para poupança
Ex-governador ressurge para negar rombo de R$ 1,5 bilhão nas
contas. Recursos teriam saído do corpo das receitas, durante período de crise,
para serem aplicados na poupança do Estado. A “lipo fiscal” pode comprometer
imagem do Pará junto ao Tesour Repercutiu a matéria “Rombo de mais de R$ 1,5 bi
nas contas do Pará é o maior do Brasil”, publicada na última quinta-feira (7)
no Blog do Zé Dudu, em que foi feito um levantamento inédito e exclusivo da
situação das contas das Unidades da Federação do país. O Blog constatou que o
rombo nas contas do Governo do Estado é o maior do Brasil, conforme aponta o
Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) do 6º bimestre de 2018
entregue pela gestão de Simão Jatene por força da Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF).
Diversos veículos de comunicação paraenses revisitaram o
assunto na quinta-feira. O tema foi, inclusive, tratado com grande preocupação
pelo governador Helder Barbalho em entrevista ao Blog duas semanas atrás.
Conforme levantou o Blog do Zé Dudu, as contas de 2018 de Jatene fecharam com
déficit fiscal de R$ 1.543.310.748,00 (um bilhão quinhentos e quarenta e três
milhões trezentos e dez mil setecentos e quarenta e oito reais).
O rombo — ou déficit fiscal na linguagem contábil — ocorre
quando o resultado primário das contas públicas fica negativo, ou melhor,
quando as despesas primárias superam as receitas primárias arrecadadas. O Blog
do Zé Dudu investigou que o déficit tem origem no gasto excessivo do Governo do
Estado com despesas primárias (R$ 23,39 bilhões) que superaram as receitas (R$
22,13 bilhões) em R$ 1,26 bilhão. Adicionadas a esse valor estão as pedaladas
do governo anterior, que se viu obrigadas a pagar R$ 276,39 milhões em restos
empenhados por ele mesmo em exercícios anteriores, e empurrou R$ 11,67 milhões
para o exercício de 2019, o qual já não mais comanda.
Gorduras das receitas na poupança
Diante do bafafá sobre a repercussão do déficit fiscal, o
ex-governador Simão Jatene resolveu sair do descanso e ressurgiu para se
pronunciar. Em entrevista ao Jornal Liberal 2ª Edição, ele foi curto e grosso.
“Não tem rombo de coisa nenhuma”, disparou, alegando que o Estado gastou mais
do que arrecadou em 2018 por causa de uma “poupança” feita em anos anteriores,
particularmente no período da alta da crise financeira que assolou o país,
entre 2015 e 2017.
Veja também: Contratos firmados pela Prefeitura de
Parauapebas somaram R$ 600 milhões em 2018
Em linguagem descomplicada, é como se Jatene tivesse feito
um procedimento de lipoaspiração nas gorduras da barriga (separado receitas do
Governo do Estado) e as injetado nos glúteos (colocado em uma poupança). Por
isso, segundo Jatene, a despesa ficou maior que a receita porque, dentro da
despesa, está incluído o recurso poupado. “Se tivesse mesmo rombo, você acha
que daria para pagar salários em dia?”, questionou o ex-governador a repórter
da TV Liberal.
“Então, o que nós fizemos foi uma política econômica mesmo”,
destacou, sem dizer, contudo, qual o orgulho em entregar aos órgãos
fiscalizadores, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a Secretaria do
Tesouro Nacional (STN), uma prestação de contas no vermelho. Inclusive, o
ex-governador, na condição de economista, é sabedor de que isso poderá trazer problemas
ao Pará e a ele mesmo.
“Bom pagador” em risco de beleléu
Na edição do Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais a
ser divulgado pelo Tesouro Nacional no último trimestre deste ano, o Pará pode
aparecer rebaixado à condição de mau pagador em razão do déficit no resultado
primário apresentado ano passado. O boletim avalia a capacidade financeira de
estados e municípios e traz perspectivas da capacidade de pagamento de cada
ente a partir de três indicadores: endividamento, poupança corrente e liquidez.
Todos os estados recebem nota de classificação, e a do Pará, que já chegou a
ser A (melhor do país) em 2017, caiu para B em 2018.
O Tesouro Nacional usa a nota dos estados como critério para
obtenção de garantias da União para a contratação de novos empréstimos. Dessa
forma, somente os estados que obtiverem notas finais A ou B poderão obter o
aval do Governo Federal. É uma espécie de carimbo e aval da União para
operações de crédito, com redução de custo de captação, e que favorece a
atração de novos negócios e estabilidade do funcionamento da máquina pública. O
Nacional.
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