Empresas que
atuam eAs empresas prestadoras de serviço em Parauapebas, em âmbito público e
privado, que tenham mais de 15 funcionários, serão obrigadas a contratarem e
manterem empregados prioritariamente trabalhadores domiciliados em Parauapebas,
respeitando a proporção de 70% do seu quadro real de funcionários, que tenham no
mínimo um ano de domicílio eleitoral ou com filho nascido no município.
É isto que
determina o Projeto de Lei nº 18/2019, de autoria de Joelma Leite (PSD) e Joel
do Sindicato (DEM), aprovado por unanimidade na sessão da Câmara Municipal de
Parauapebas realizada nesta terça-feira (4).
A proposição
estabelece ainda que dentro do percentual de 70% das vagas reservadas para
moradores de Parauapebas, no mínimo, 15% sejam destinados para mulheres.
Entretanto,
determina que a obrigatoriedade não se aplique para contratações de
trabalhadores cuja mão de obra exija especialização ou habilitação específica,
nem na admissão de funcionário para ocupar cargo de chefia e direção de
equipes.
A abertura das
vagas reservadas deverá ser cadastrada junto ao Sistema Nacional de Emprego
(Sine) de Parauapebas, bem como em outras entidades locais que atuem legalmente
com recrutamento e seleção.
Punições
Caso
descumpra as determinações do referido projeto, a empresa será notificada pelo
poder público e poderá apresentar defesa no prazo improrrogável de 15 dias. A
não apresentação de defesa resultará em penalidades que vão desde a suspensão
das atividades até a cassação do alvará de funcionamento.
Pareceres
A
Procuradoria Legislativa emitiu parecer contrário ao projeto, alegando que a
matéria é inconstitucional.
“Embora
garantido pela Constituição Federal, pela Constituição Estadual e pela Lei
Orgânica Municipal que aos municípios competem legislar sobre os assuntos de
interesse local, mesmo que a questão da empregabilidade seja um fator social de
estabilização ou desestabilização da economia, entendo que a matéria atinge
competência atribuída exclusivamente à União e atenta contra a liberdade
econômica”, diz trecho do parecer.
Entretanto,
a Comissão de Constituição, Justiça e Redação emitiu parecer favorável à
aprovação da matéria.
“Nota-se que
a propositura preenche todos os requisitos necessários, respeitadas as regras
que competem a esta comissão emitir pronunciamento. Conclui-se que o projeto
encontra-se dentro dos parâmetros regimentais, legais, constitucionais,
atendendo à finalidade a que se destina”, afirma trecho do documento elaborado
pelo vereador Ivanaldo Braz (sem partido), relator da proposição.
Discussão
Durante a
discussão do Projeto de Lei nº 18/2019, apelidado de “Parauapebas Contrata
Aqui”, os autores e mais vereadores defenderam sua aprovação.
“Infelizmente,
a necessidade está gritante em Parauapebas. Sabemos que não somos a primeira
cidade a implantar um projeto dessa forma e não seremos a última. Muitas são as
opiniões contrárias quanto a isso, mas o que é mais interessante é que o
projeto não é meu nem do vereador Joel; é da Câmara Municipal de Parauapebas.
Está sendo um anseio do povo; quem quer é o povo; quem está precisando é o povo
e nós, como legítimos representantes do povo, estamos aqui para atender a essas
necessidades”, argumentou Joelma Leite.
“Muita gente
vai continuar dizendo que esse projeto é inconstitucional, mas eu quero saber
se a ilegalidade vai tornar imoral? O que essa Casa faz hoje, nada mais é do
que simplesmente chamar a responsabilidade que está solta pelas empresas que
chegam ao município, que trazem os caminhões cheios de funcionário de fora sem
dar a devida importância a tantos que estão aí desempregados, mais de 50 mil
pessoas. Se o prefeito vetar, terei o maior prazer em derrubar o veto”,
enfatizou Zacarias Marques (sem partido).
“Sabemos que
a população de Parauapebas está desempregada e os poucos empregos que aparecem
vêm gente de fora e ocupa essas vagas. Precisamos não só de aprovar esse
projeto, mas também de fiscalizar e garantir que seja cumprida a lei a rigor,
para que nosso povo venha a ocupar essas vagas de empresas que chegam e trazem
gente de fora, não por falta de mão de obra qualificada, mas por desprezar
nosso povo de Parauapebas”, destacou Joel do Sindicato.
“Nossa
cidade clama por empregos e a gente tem que fazer algo, pois somos
representantes do povo de Parauapebas”, ressaltou Francisca Ciza (DEM).
“Mesmo a
gente tendo um parecer que optou pela ilegalidade e pela inconstitucionalidade
do projeto, esta Mesa está de parabéns por ter colocado para votação. Pode até
ser inconstitucional, mas nós temos certeza que não é imoral”, defendeu Eliene
Soares (MDB).
Finalizando
a discussão, o presidente da Câmara, Luiz Castilho (Pros), garantiu que o
projeto será transformado em lei. “Pode até haver um veto, mas não haverá
ausência da promulgação. Esta Casa, através de seu presidente, vai promulgá-la.
Estamos imaginando o pior, caso venha a ser, este presidente, representando todos
os vereadores, promulgará”.
Aprovação
O projeto
será enviado para sanção do prefeito Darci Lermen. Caso seja sancionado,
entrará em vigor na data de sua publicação. Se for vetado, retornará para
análise da Câmara, que poderá ou não derrubar o veto.m Parauapebas poderão ser
obrigadas a contratar mão de obra local
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