CONSEA
manifesta pesar sobre medida que revoga disposições da Lei Orgânica de
Segurança Alimentar e Nutricional
A medida
busca esvaziar as atribuições do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional
Escrito por:
Conselheiros CONSEA • Publicado em: 02/01/2019 - 16h57min • Última modificação:
02/01/2019 - 17h04mina sociedade civil brasileira que compõe o Conselho
Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional recebeu, com surpresa e grande pesar,
a decisão do governo federal recém-empossado em revogar, por meio de Medida
Provisória nº 870, de 1º de janeiro de 2019, disposições constantes da Lei
Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan), que visa assegurar o
direito humano à alimentação adequada.
A medida
busca esvaziar as atribuições do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional (Consea), órgão de assessoramento direto da Presidência da
República e integrante do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
(Sisan).
Espaço de
controle social e construção de propostas sobre o elemento primordial para a
vida do ser humano ‒ a alimentação ‒, o Consea tem participação de dois terços
de representantes de organizações sociais representativas dos setores mais
vulneráveis da sociedade brasileira, que atuam em caráter voluntário, e um
terço do governo, conforme determina o artigo 11 da Lei Orgânica nº 11.346, de
15 de setembro de 2006.
A
institucionalização da participação de representantes de diferentes setores da sociedade
civil em um órgão de assessoramento direto da Presidência da República, como o
Consea, tem sido importante instrumento de escuta da sociedade civil para o
aprimoramento de políticas públicas e fortalecimento do Estado brasileiro.
A inclusão
do direito à alimentação na Constituição, a aprovação da Lei Orgânica, da
Política e do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Plano
Safra da Agricultura Familiar, a Política Nacional de Agroecologia e Produção
Orgânica e o Programa de Aquisição de Alimentos e as compras institucionais de
alimentos da agricultura familiar para escolas e outros órgãos públicos são
algumas das propostas que surgiram em debates no Consea e se tornaram políticas
públicas para a garantia de uma alimentação saudável para toda a população.
O formato de
participação social adotado pelo Brasil na área de segurança alimentar e
nutricional tem sido exemplo para inúmeros países. Nos últimos anos, o Consea
recebeu visitas de delegações nacionais e organismos internacionais para conhecer
sua organização e atuação.
Assim, é
preciso reforçar e consolidar o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional como um espaço democrático do Estado brasileiro ‒ e não de governos
‒ dando voz às organizações sociais representativas para que as políticas
públicas consigam dar resposta aos problemas dos setores mais vulneráveis da
sociedade brasileira.
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