Após
Brumadinho, Xikrin vão à Justiça temendo rompimento de barragem do Salobo
Agravo de
Instrumento que tramita no TRF1 foi dada entrada hoje à tarde, advogado dos
indígenas pede suspensão da licença e das operações do Projeto Salobo Horas depois da Barragem de Brumadinho
(MG) se romper, nesta sexta-feira (25), três associações indígenas do povo
Xikrin do Cateté ingressaram, por meio do advogado José Diogo de Oliveira Lima,
com pedido de urgência no Agravo de Instrumento de Relatoria do desembargador
federal João Batista Moreira – da 6ª Turma do Tribunal Federal da 1ª Região, em
Brasília – alertando sobre os riscos de rompimento da barragem do Projeto
Salobo, com sede em Marabá, além de mostrarem vários riscos que eles e o meio
ambiente estão correndo com o empreendimento.
O advogado
inicia sua manifestação com as seguintes frases impactantes: “A barragem de
Mariana se rompeu em 2015; a barragem de Brumadinho se rompeu em 2019. Vamos
esperar a barragem do Empreendimento Salobo se romper também? E o princípio da
precaução?”, questiona.
As três
entidades dos indígenas que pleiteiam a ação na Justiça são: Associação
Indígena Bayprã de Defesa do Povo Xikrin Do O-Odja, Associação Indígena
Kakarekre de Defesa do Povo Xikrin do Djudjeko e Associação Indígena Porekrô de
Defesa do Povo Xikrin do Catetê.
O advogado
José Diogo Lima alertou o desembargador que na publicação do “Relatório de
Segurança de Barragens 2017” pela Agência Nacional de Águas (ANA) ficou
evidenciado que a barragem de rejeitos de mineração, relativa ao Projeto
Salobo, denominada de Barragem “Finos 2 de Salobo”, detém alto potencial de
dano associado, assim como a Barragem de Brumadinho-MG, não só pelo suposto
alto risco, mas diante dos vazamentos identificados no decorrer dos anos.
Também
advertiu que o relatório do IBAMA mostra que foram lançados sedimentos
minerários, finos e elementos químicos altamente degradantes, especialmente
metais pesados decorrentes da atividade minerária, sem qualquer filtro ou
barreira de contenção em diversos igarapés, dentre eles o Igarapé Salobo e
Mirim, e nos Rios Itacaiúnas e Cinzento. “Assim, tudo indica que a TI Xikrin
está banhada de rejeitos minerários e morte; e correndo sério risco com o
rompimento de barragem. Portanto, nobre julgador, mais do que nunca, é necessário,
por meio de tutela antecipada recursal, independentemente de cumprimento dos
expedientes processuais,” disse o advogado.
Diante dos
riscos descritos acima, José Diogo Lima pediu concessão da liminar em função do
perigo de dano irreparável ou de difícil reparação e verossimilhança das
alegações para, liminarmente, suspender a decisão agravada, e em seguida
reformá-la, no sentido de manter a União, o Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN), a Agência
Nacional de Mineração (ANM) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), no polo passivo da demanda, bem como impossibilitar que a
Fundação Nacional do Índio (FUNAI) migre ao polo ativo da referida Ação Civil
Pública, permanecendo na condição de réu.
Veja também:
Barragem de rejeitos de minério da Vale
se rompe em Brumadinho
Em contato
com a Reportagem do Blog no final da tarde de hoje, o advogado José Diogo Lima
observou que há enorme significância da contribuição do efluente da barragem de
rejeitos do Projeto Salobo para os problemas de qualidade das águas do
Igarapé Salobo e do Rio Itacaiúnas, entre outros corpos hídricos da região. “Os impactos e contaminação aos corpos hídricos deve-se, em
grande parte, à barragem de rejeitos, o que nos força a concluir que a Agência Nacional
de Mineração está sendo omissa no seu dever de fiscalizar a segurança das referidas barragens, sendo
necessário, portanto, que componha o polo passivo da ação que está
na Justiça”.
Ele ressalta
também que, inclusive, há pedidos específicos formulados em face da ANM,
entre eles a necessidade de fiscalizar a estabilidade e a segurança das estruturas de barragens
utilizadas pelo empreendimento Salobo e demais empreendimentos no entorno da TI
Xikrin, apresentando relatórios periódicos à Justiça.
SUSPENSÃO DO
PROJETO SALOBO
Entre os
muitos itens constantes na petição, o advogado José Diogo Lima solicita que
seja suspenso, imediatamente, o processo de licenciamento ambiental do empreendimento
Projeto Salobo e, consequentemente, as atividades minerárias, compreendidas
entre o processo de extração, o beneficiamento e a comercialização. “Enfim,
qualquer ato visando o empreendimento, inclusive a suspensão da participação da
Salobo Metais e Vale em linhas de financiamento oferecidas por estabelecimentos
oficiais de crédito, bem como a suspensão de incentivos e benefícios fiscais
que porventura receba do Poder Público até que sejam realizados estudos dos
componentes indígenas, condicionantes ambientais em prol das comunidades
indígenas, avaliação da extensão dos danos ambientais (do meio físico e
biótico),” entre outros pedidos.
RESPOSTA DA
VALE
“A Vale e a
Salobo Metais informam que não foram intimadas pelo Tribunal Regional Federal
da 1ª Região, sobre a petição das Associações Indígenas, o que impede uma
manifestação específica.
No entanto,
cabe registar, que o Poder Judiciário já rejeitou, por duas vezes, pedidos de
paralisação do empreendimento formulados pelas Associações, por serem carecedores
de direito. A mina de cobre está localizada a mais de 22 quilômetros abaixo do
limite da Terra Indígena (TI) Xikrin, resultando na total impossibilidade
material e física do empreendimento causar dano à referida TI.
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