Reunindo cerca de 400 militantes do Movimento, o ato
político em homenagem aos 35 anos de existência do MST, contaram com a presença
de parlamentares, representantes de movimentos populares, professores
universitários e amigos e amigas da organização.
O ato reafirmou em toda sua mística a disposição dos Sem
Terra em todo o país de seguir na construção da resistência, que possa avançar
na construção do projeto de Reforma Agrária Popular e de um novo modelo de
sociedade.
Moisés Borges, do Movimento dos Atingidos por Barragens
(MAB) reforçou o legado do MST na luta no país. “São 35 anos de história, 35
anos de luta, de organização e de exemplo para os movimentos populares, nessa
capacidade incrível de se reinventar. Esse exemplo é o que faz com que a gente
acredite que esse cenário político que vivemos hoje, será derrotado por nós”,
disse.
Participaram ainda do ato político Rui Falcão, do Partido
dos Trabalhadores (PT), Walter Sorrentino, do PCdoB, Vagner Freitas, presidente
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), representação do Movimento dos
Pequenos Agricultores (MPA), Levante Popular da Juventude, Movimento de
Mulheres Camponesas (MMC), além de parlamentares do PT e PCdoB.
Crianças, jovens, homens, mulheres, sujeitos da diversidade
sexual, negros e negras, referendando a identidade Sem Terra, de punhos
erguidos, bandeiras tremulando no alto e ferramentas de trabalho em mãos,
fizeram ecoar juntos e juntas à mensagem da resistência daqueles e daquelas que
amam a revolução.
Representando o PT, Rui Falcão destacou o papel do MST na
organização e na luta da classe trabalhadora no país.
“O MST surge numa década de grandes mudanças, década em que
em conjunto nós conseguimos derrotar a ditadura e agora, 35 anos depois, nos
deparamos com outro tipo de ditadura. Uma ditadura que não coloca tanques e
fuzis na rua, mas se associa com a mídia, com o judiciário e com o grande
capital para retirar direitos do povo”, disse. “O MST foi e segue sendo
importante nessa trajetória e temos toda a disposição de lutarmos juntos nas
ruas, no parlamento, em unidade, para que a gente possa trazer de volta ao
Brasil a democracia e os direitos”, concluiu.
Representando a Direção Nacional do MST, João Pedro Stédile
ressaltou a disposição de toda a militância do MST de seguir em resistência e
em luta permanente. “Não vamos abrir mão de continuar em luta. Ocupando terra,
dialogando com a sociedade, defendendo os direitos da classe trabalhadora e
produzindo alimentos saudáveis”, afirmou.
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MST recebe Menção Honrosa da Assembleia Legislativa do
Paraná.
O ato marcou a entrega da Menção Honrosa da Assembleia Legislativa
do Paraná em homenagem aos 35 anos do MST, entregue pelo Deputado Estadual
Professor Lemos (PT) ao conjunto do Movimento, destacando o papel do MST na
luta pela terra no Paraná e em todo o país.
Durante o ato, o MST lançou a “Carta ao Povo Brasileiro”,
abordando a posição do Movimento na atual conjuntura política brasileira e
internacional. “Lutaremos pela democracia, pela justiça, pela igualdade, pela
defesa dos bens da natureza, pela democratização da terra e pela produção de
alimentos saudáveis para alimentar o povo brasileiro”, destacou trecho da
carta.
A carta reforça ainda a solidariedade do Movimento ao Povo
Venezuelano, na luta pela soberania dos povos em todo o mundo.
Confira a Carta ao Povo Brasileiro na íntegra
Carta ao povo brasileiro
O Movimento Sem Terra celebra seus 35 anos de luta pela
reforma agrária e por justiça social. Nascemos no final da ditadura
civil-militar, junto com milhares de lutadores e lutadoras que defenderam a
democracia e desafiaram o autoritarismo. Mais uma vez, reafirmamos nosso
compromisso de lutar pela democratização da terra, pela produção de alimentos
saudáveis, pela soberania popular e por uma sociedade emancipada.
Diante da crise estrutural do capital, com consequências
graves e destrutivas para a natureza e a humanidade, nossas tarefas políticas
se tornam ainda mais urgentes e necessárias. As saídas apresentadas pelo
capital financeiro, nada tem a ver com as necessidades humanas, pois resultam
em aumento da superexploração dos trabalhadores e trabalhadoras, através da
precarização do trabalho, desmonte das políticas públicas, agressiva retirada
de direitos e expropriações diversas, elevando de forma brutal, os níveis de
desigualdade social. Para executá-las, o capital requer um Estado cada vez mais
autoritário, voltado à repressão, violentando e perseguindo os mais pobres,
promovendo um cruel genocídio da juventude negra.
Foi desta forma que os meios de comunicação, o poder
judiciário, os bancos, os militares e o agronegócio, levaram ao poder, neofascista
e ultraliberal, um capitão reformado que atua pelas formas mais baixas e
vulgares da política, para manter os privilégios dos que historicamente
saquearam o país e atacar diretamente os direitos da classe trabalhadora,
através de ajustes fiscais, privatizações e subordinação da nossa economia ao
capital internacional, principalmente dos EUA.
A subordinação das questões indígenas, fundiárias e
ambientais aos interesses da bancada ruralista e do agrotóxico no Ministério da
Agricultura; o desmonte da previdência social; a ameaça da entrega das empresas
e bancos nacionais, como Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal;
a liberação da posse de armas são algumas das políticas mortíferas adotadas por
esse (des)governo, que colocam em risco a nossa biodiversidade e acirram os
conflitos no campo atingindo frontalmente os indígenas, quilombolas,
ribeirinhos, camponeses, assentados e acampados da Reforma Agrária e evidencia
a característica antinacional e
antipopular do atual governo.
É preciso ocupar as ruas e as praças denunciando a
voracidade dessas políticas que aprofundam a expropriação e exploração
capitalista.
Assim, nos comprometemos em lutar e defender todos e todas
trabalhadores e trabalhadoras que tenham sua existência ameaçada. Seguiremos
defendendo a soberania dos e povos e lutando contra qualquer tipo de ingerência
política e/ou intervencionismo militar em qualquer país. Declaramos total solidariedades
ao povo Venezuelano!
Nos solidarizamos com as famílias atingidas pela barragem de
Brumadinho, vítimas de mais uma ação criminosa e reincidente da Vale, uma
assassina protegida pelo poder judiciário.
Somaremos-nos a mobilização das mulheres trabalhadoras no 8
de março, seremos zeladores do legado e a memória de Marielle Franco e de
tantos outros companheiros e companheiras que tombaram, exigindo a punição dos
seus assassinos e mandantes. Defenderemos a liberdade do companheiro Lula, cuja
prisão política foi utilizada para que esse projeto fosse vitorioso nas
eleições.
Comprometemos-nos em fortalecer a Frente Brasil Popular e
todas as iniciativas de luta da classe trabalhadora que confrontem a
exploração, a subordinação e a opressão, nos somando na luta cotidiana das
mulheres, da população urbana e camponesa, dos negros e negros, dos povos
indígenas e dos sujeitos LGBT.
Lutaremos pela democracia, pela justiça, pela igualdade,
pela defesa dos bens da natureza, pela democratização da terra e pela produção
de alimentos saudáveis para alimentar o povo brasileiro.
Lutar, construir Reforma Agrária Popular!
Coordenação Nacional do MST
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