Flávio
Bolsonaro: entenda as suspeitas e o que o senador eleito diz sobre elas
25 janeiro
2019
Como parte
de uma investigação da Operação Lava Jato, foi identificada uma movimentação
bancária suspeita no valor de R$ 1,2 milhão por parte de um ex-assessor de
Flávio Bolsonaro
Flávio
Bolsonaro, senador eleito pelo PSL-RJ e primogênito do presidente da República,
se tornou o centro das atenções da família depois que veio à tona, em dezembro
passado, um relatório de um órgão do Ministério da Fazenda sobre movimentações
financeiras extraodinárias feitas por seu então assessor parlamentar Fabricio
Queiroz.
Segundo o
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que atua na prevenção e
combate à lavagem de dinheiro, Queiroz movimentou quase R$ 7 milhões em três
anos, enquanto sua renda mensal gira em torno de R$ 20 mil.
Como Flávio
Bolsonaro ocupou um cargo na Câmara dos Deputados enquanto fazia faculdade e
estágio no Rio
Desde então,
novas suspeitas surgiram acerca de Flávio Bolsonaro e de seu gabinete na
Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a exemplo da contratação de parentes
de um ex-policial acusado de chefiar uma mílicia; do lucro obtido a partir de
negociações imobiliárias atípicas e da ocupação de um cargo comissionado na
Câmara do Deputados enquanto fazia estágio e faculdade no Rio de Janeiro.
A BBC News
Brasil reúne aqui as principais denúncias contra Flávio Bolsonaro e o que ele
diz a respeito delas.
Caso Queiroz
O Conselho
de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Ministério da
Fazenda que atua na prevenção e combate à lavagem de dinheiro, produziu um
relatório de inteligência financeira que sinaliza movimentações atípicas de
diversas pessoas ligadas à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Entre elas, Fabricio Queiroz, um policial militar aposentado que foi motorista
e segurança de Flávio Bolsonaro e é amigo do presidente Jair Bolsonaro desde os
anos 1980.
Segundo o
Coaf, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.
Uma reportagem do jornal O Globo afirma ainda que, entre 2014 e 2015, outros R$
5,8 milhões entraram e saíram da conta de Queiroz, valor que chamou a atenção
do Coaf por ser incompatível com o salário que ele recebia como policial e
assessor.
O servidor
estadual ganhava R$ 8.517,16 como assessor parlamentar no gabinete de Flávio,
além de acumular rendimentos mensais de cerca de R$ 12,6 mil da Polícia Militar
fluminense, onde trabalhou, a título de aposentadoria.
Queiroz (à
dir.) é ex-motorista e ex-segurança do deputado estadual Flávio Bolsonaro
A
investigação do Ministério Público Federal, um desdobramento da Operação Lava
Jato, buscava identificar movimentações suspeitas que poderiam estar
relacionadas a pagamento de propina a deputados em troca de apoio ao governo de
Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.
Em meio aos
levantamentos do Coaf, foram identificadas movimentações que não tinham relação
com o esquema da Lava Jato, mas que indicavam possível prática da
"rachadinha" - devolução de salários por parte dos funcionários de
gabinetes.
Uma das
transações na conta de Queiroz citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$
24 mil destinado à primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Desde que o
caso veio à tona, Fabricio Queiroz e Flávio Bolsonaro faltaram aos depoimentos
marcados pelo Ministério Público. O parlamentar afirmava que buscava ter acesso
aos autos antes de depor, mas em seguida ele pediu suspensão das investigações
ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob alegação de quebra de sigilo bancário e
desrespeito a sua prerrogativa de foro privilegiado. O ministro Luiz Fux
atendeu ao pedido até a volta do recesso do relator do caso, Marco Aurélio
Mello.
O que dizem
os envolvidos?
Relatório do
Coaf aponta que uma das transações na conta de Queiroz é um cheque de R$ 24 mil
destinado à primeira-dama, Michelle Bolsonaro
Depois de
não comparecer a quatro convocações para depor, Queiroz revelou em entrevista
ao SBT, em 21 de dezembro passado, que problemas de saúde, incluindo o
diagnóstico de um câncer no intestino, o teriam impedido de atender ao chamado
feito pelo MP.
Queiroz
também afirmou que parte do dinheiro movimentado na conta deve-se à compra e
venda de carros. "Eu sou um cara de negócios. Eu compro e revendo. Compre
e vendo carros. Gosto de comprar carros de seguradoras, mando arrumar e
vendo."
Sobre o
cheque para Michelle Bolsonaro, o presidente da República disse que emprestou R$
40 mil ao amigo e ex-assessor do filho e que o cheque em nome da primeira-dama
seria pagamento de uma parcela da dívida.
possuem a
prerrogativa de exercerem suas atividades em outra cidade além da capital
federal".
O que diz
Flávio Bolsonaro?
Procuradas,
a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro afirmou que não iria responder aos
questionamentos da BBC News Brasil e a assessoria do presidente Jair Bolsonaro
não respondeu até a publicação desta reportagem.
Já assistiu
aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Nenhum comentário:
Postar um comentário