sábado, 26 de janeiro de 2019

Flávio BolsonaroFlávio Bolsonaro: entenda as suspeitas e o que o senador eleito diz sobre elas
25 janeiro 2019
Como parte de uma investigação da Operação Lava Jato, foi identificada uma movimentação bancária suspeita no valor de R$ 1,2 milhão por parte de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, senador eleito pelo PSL-RJ e primogênito do presidente da República, se tornou o centro das atenções da família depois que veio à tona, em dezembro passado, um relatório de um órgão do Ministério da Fazenda sobre movimentações financeiras extraodinárias feitas por seu então assessor parlamentar Fabricio Queiroz.
Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que atua na prevenção e combate à lavagem de dinheiro, Queiroz movimentou quase R$ 7 milhões em três anos, enquanto sua renda mensal gira em torno de R$ 20 mil.
Como Flávio Bolsonaro ocupou um cargo na Câmara dos Deputados enquanto fazia faculdade e estágio no Rio
Desde então, novas suspeitas surgiram acerca de Flávio Bolsonaro e de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a exemplo da contratação de parentes de um ex-policial acusado de chefiar uma mílicia; do lucro obtido a partir de negociações imobiliárias atípicas e da ocupação de um cargo comissionado na Câmara do Deputados enquanto fazia estágio e faculdade no Rio de Janeiro.
A BBC News Brasil reúne aqui as principais denúncias contra Flávio Bolsonaro e o que ele diz a respeito delas.
Caso Queiroz
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda que atua na prevenção e combate à lavagem de dinheiro, produziu um relatório de inteligência financeira que sinaliza movimentações atípicas de diversas pessoas ligadas à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Entre elas, Fabricio Queiroz, um policial militar aposentado que foi motorista e segurança de Flávio Bolsonaro e é amigo do presidente Jair Bolsonaro desde os anos 1980.
Segundo o Coaf, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Uma reportagem do jornal O Globo afirma ainda que, entre 2014 e 2015, outros R$ 5,8 milhões entraram e saíram da conta de Queiroz, valor que chamou a atenção do Coaf por ser incompatível com o salário que ele recebia como policial e assessor.

O servidor estadual ganhava R$ 8.517,16 como assessor parlamentar no gabinete de Flávio, além de acumular rendimentos mensais de cerca de R$ 12,6 mil da Polícia Militar fluminense, onde trabalhou, a título de aposentadoria.
Queiroz (à dir.) é ex-motorista e ex-segurança do deputado estadual Flávio Bolsonaro
A investigação do Ministério Público Federal, um desdobramento da Operação Lava Jato, buscava identificar movimentações suspeitas que poderiam estar relacionadas a pagamento de propina a deputados em troca de apoio ao governo de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.
Em meio aos levantamentos do Coaf, foram identificadas movimentações que não tinham relação com o esquema da Lava Jato, mas que indicavam possível prática da "rachadinha" - devolução de salários por parte dos funcionários de gabinetes.
Uma das transações na conta de Queiroz citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Desde que o caso veio à tona, Fabricio Queiroz e Flávio Bolsonaro faltaram aos depoimentos marcados pelo Ministério Público. O parlamentar afirmava que buscava ter acesso aos autos antes de depor, mas em seguida ele pediu suspensão das investigações ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob alegação de quebra de sigilo bancário e desrespeito a sua prerrogativa de foro privilegiado. O ministro Luiz Fux atendeu ao pedido até a volta do recesso do relator do caso, Marco Aurélio Mello.
O que dizem os envolvidos?
Relatório do Coaf aponta que uma das transações na conta de Queiroz é um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama, Michelle Bolsonaro
Depois de não comparecer a quatro convocações para depor, Queiroz revelou em entrevista ao SBT, em 21 de dezembro passado, que problemas de saúde, incluindo o diagnóstico de um câncer no intestino, o teriam impedido de atender ao chamado feito pelo MP.
Queiroz também afirmou que parte do dinheiro movimentado na conta deve-se à compra e venda de carros. "Eu sou um cara de negócios. Eu compro e revendo. Compre e vendo carros. Gosto de comprar carros de seguradoras, mando arrumar e vendo."
Sobre o cheque para Michelle Bolsonaro, o presidente da República disse que emprestou R$ 40 mil ao amigo e ex-assessor do filho e que o cheque em nome da primeira-dama seria pagamento de uma parcela da dívida.

Em 6 de dezembro, Flávio afirmou que "Fabricio Queiroz trabalhou comigo por 
possuem a prerrogativa de exercerem suas atividades em outra cidade além da capital federal".
O que diz Flávio Bolsonaro?
Procuradas, a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro afirmou que não iria responder aos questionamentos da BBC News Brasil e a assessoria do presidente Jair Bolsonaro não respondeu até a publicação desta reportagem.
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