
REUTERS: BOLSONARO MUDARÁ COMUNICAÇÃO E RELAÇÃO COM O
CONGRESSO Segundo a análise da agência de notícias, Bolsonaro se comunicará com
a sociedade por meio das redes sociais e também não irá formar maiorias no
Congresso por SÃO PAULO (Reuters) - Jair Bolsonaro toma posse nesta terça-feira
sob um esquema de segurança sem precedentes para este tipo de evento e com a
promessa de um governo que quebre paradigmas que vão desde o modelo de
negociação com o Congresso até a forma de comunicação com a sociedade.
Vitorioso na campanha presidencial mais polarizada da
história, Bolsonaro (PSL) também terá de enfrentar um rombo fiscal que já dura
cinco anos e um cenário econômico que conta com 12 milhões de desempregados e a
necessidade de reformas como a da Previdência.
Bolsonaro, com 63 anos, tomará posse às 15h, em cerimônia no
Congresso Nacional ao lado do general Hamilton Mourão, que será seu
vice-presidente. Depois irá ao Palácio do Planalto onde receberá a faixa
presidencial do atual presidente Michel Temer (PMDB).
Em meio ao forte esquema de segurança que cerca a posse, o
tradicional desfile em carro aberto dos presidentes recém-empossados pode não
ocorrer e uma decisão sobre o assunto será anunciada apenas nesta terça-feira.
Bolsonaro foi alvo de uma facada durante evento de campanha
em Juiz de Fora (MG) em setembro e também foi alvo de ameaças, entre elas a
feita em uma página na Internet por um grupo intitulado Maldição Ancestral que
afirma que pode cometer um atentado contra o capitão da reserva do Exército na
posse.
Diante de ameaças "vivas" contra o futuro
presidente, nas palavras do ministro do Gabinete de Segurança Institucional
(GSI), general Sergio Etchegoyen, será feito um número maior de bloqueios do
que em posses anteriores para quem quiser acompanhar a posse na Esplanada do Ministério-fechada
desde o domingo— e a entrada de pessoas com bolsas e mochilas, por exemplo,
está proibida.
O acesso à Esplanada, que ficará bloqueada por 80 horas
sendo novamente liberada somente na quarta-feira, será feito somente a pé e
pela rodoviária de Brasília. A expectativa é que entre 250 mil e 500 mil
pessoas acompanhem a posse de Bolsonaro. O GSI não quis revelar o efetivo de
segurança que será usado no evento.
Além de simpatizantes e lideranças políticas brasileiras,
também acompanharão a posse do novo presidente autoridades internacionais, como
o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado
norte-americano, Mike Pompeo, representantes de dois países com que Bolsonaro
deverá buscar relações estreitas.
MUDANÇAS E DESAFIOS
No período de transição de governo, iniciado pouco depois de
seu triunfo eleitoral em 28 de outubro, Bolsonaro manteve suas promessas de
campanha, entre elas a de mudar a forma de negociação do Executivo com o
Legislativo e de não buscar indicações partidárias para compor o primeiro
escalão do governo.
Em vez disso, nomeou auxiliares alinhados à sua ideologia mais
à direita e apontou que suas tratativas com o Parlamento se dariam por meio de
conversas com bancadas temáticas-nomeou a coordenadora da Frente Parlamentar da
Agropecuária, Tereza Cristina, para chefiar o Ministério da Agricultura, por
exemplo.
Indicou também vários militares para postos-chaves do
governo, casos dos generais Augusto Heleno e Carlos Alberto Santos Cruz, que
estarão ao lado do novo presidente no Palácio do Planalto, o primeiro como
chefe do GSI e o segundo a frente da Secretaria de Governo.
"Não é que não vai ter conversa, o modelo que vigora
ainda, de ministério por votos, não deu certo. Mergulhou o Brasil em
ineficiência e na corrupção. Os parlamentares mesmo não querem mais isso.
Alguns foram levados para o olho do furacão no vácuo, não queriam estar lá. E a
grande parte deles, que temos conversado, é que o modelo que estamos adotando
não é que pode dar certo, tem que dar certo", disse o futuro presidente no
final de novembro.
A efetividade dessa estratégia, no entanto, tem sido alvo de
ceticismo por parte de lideranças partidárias acostumadas com os bastidores da
política.
Bolsonaro deve inaugurar também um novo modelo de
comunicação de presidente da República. Após vencer a eleição impulsionada por
uma bem-sucedida estratégia nas redes sociais, o novo presidente fez de sua
conta no Witter o principal canal para anúncios de nomes do primeiro escalão.
O modelo, parecido com o adotado pelo presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, de quem Bolsonaro é declarado admirador, deverá
permanecer com o capitão da reserva instalado no gabinete presidencial.
A mudança radical na política externa, que deverá ser uma
das marcas do novo governo, poderá ser testada já no final do primeiro mês de
mandato, caso Bolsonaro compareça —como tem sinalizado que fará— ao Fórum
Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos.
Após a sua estreia no palco internacional, o novo presidente
se ausentará do cargo para realizar a cirurgia de retirada da bolsa de
colostomia, colocada após a facada de setembro que perfurou seu intestino e o
obrigou a passar por duas cirurgias de emergência.
Primeiro militar a assumir a Presidência desde o fim da
ditadura em 1985, Bolsonaro será temporariamente substituído nesses dois períodos-a
possível viagem a Davos e a cirurgia— pelo seu vice, o general da reserva
Hamilton Mourão, que será assim o primeiro general a ocupar o Palácio do
Planalto desde o fim do regime militar.
Meio da negociação de cargos em ministérios
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