Nascida na
Itália em 1921, Dina Girardi se tornou Irmã Alberta, uma das Pequenas Irmãs
Missionárias da Caridade que chegaram ao Brasil em janeiro de 1970 e que, desde
então, seguiram o preceito de “desenvolver um amplo apostolado com os mais
pobres de nossa sociedade em amor a Jesus”, como consta na missão das
Orionitas.
No Brasil,
Irmã Alberta lutou com os trabalhadores e trabalhadoras nos locais onde era
mais necessária. Ao chegar, foi enviada para a cidade do Araguaia em meio a
tensos conflitos fundiários, quando foi ameaçada de morte junto ao Padre
Josimo, seu companheiro de evangelização que se tornou mártir da luta pela
terra. Também esteve no Pará, ao lado das famílias ribeirinhas da Ilha do
Marajó, e desde 1996 estava em São Paulo, contribuindo com Comissão Pastoral da
Terra, onde se inseriu na Fraternidade Povo da Rua e nos trabalhos de base para
a luta pela Reforma Agrária.
Guerreira,
humilde e inteligente, destacava-se pela capacidade de interpretar a realidade
e dizer com simplicidade ao povo que era preciso transformá-la. No MST, Irmã
Alberta participou ativamente de muitas ocupações de terra, sendo homenageada
em diversos espaços emprestando seu nome à Comuna da Terra Irmã Alberta,
localizada na cidade de São Paulo. Em 2015 foi homenageada pelo Movimento com o Prêmio Luta pela
Terra, ao lado de lutadores como Leonardo Boff e Luiz Beltrame. Em
reconhecimento à sua luta justa, a Ordem dos Advogados do Brasil também a
agraciou, em 2007, com o Prêmio Castro Holzwwarth, e em 2012 com o Prêmio
Especial dos Direitos Humanos.
Dedicada
também aos estudos, era leitora de Marx e Gramsci e considerava as obras muito
atuais para a realidade da classe trabalhadora, sempre fazendo correspondência
entre as lutas sociais, a política e a fé. Para Irmã Alberta o trabalho de base
e a organização do povo para a luta eram as formas de alcançar a justiça social
que Jesus pregava.
“Belíssimos,
não parem nunca de lutar”, assim como ela falava sobre a luta do MST. A força e
vigor de Irmã Alberta serão sempre lembradas com alegria e garra pelas famílias
Sem Terra nas ações, nas místicas e na fé em outro mundo possível.
Seguimos seu
sonho Irmã, na firmeza dos seus passos e mãos sempre dispostas para ajudar; na
ternura do seu abraço; na paciência de ouvir, mas também na ousadia de tomar a
palavra e profetizar, calando a boca dos poderosos, fazendo tremer as
estruturas de dominação e rompendo todos os latifúndios.
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