
O embaixador Paulo Roberto Almeida foi defenestrado do cargo
de diretor do Instituto de Pesquisas de Relações Exteriores (IPRI), nesta segunda-feira
(5), por reproduzir artigos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do
ex-ministro Rubens Ricupero acerca da crise política na Venezuela.
O curioso nisso tudo é que o embaixador demitido pelo
Itamaraty se dizia antipetista e era crítico aos governos de Lula e Dilma,
período que classificava como lulopetismo. Ele também se considerava um liberal
e defensor do neoliberalismo econômico de Jair Bolsonaro (PSL).
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Paulo Roberto Almeida reproduziu um artigo de FHC, da
revista Época, o qual afirmava que “o discurso ultraconservador do novo
chanceler, que colocou o Brasil no mesmo eixo político de democracias iliberais
como a Hungria e a Polônia, com as quais temos pouquíssimos pontos em comum, já
estão custando danos à reputação e à imagem do Brasil no exterior e poderá ter
consequências políticas negativas.”.
O chanceler Ernesto Araújo não gostou da manifestação do
embaixador que, em outras oportunidades, também criticou o guru Olavo de
Carvalho.
O demitido publicou em sua página na internet que o real
motivo da demissão era a reprodução de artigos de FHC e Ricupero.
“Esse mesmo blog, que me serviu como quilombo de resistência
intelectual durante os anos do lulopetismo diplomático, abriu à justificativa,
agora, para minha exoneração, pelo fato de ter postado artigos críticos à
política externa atual – do ex-ministro Rubens Ricupero, e ex-chanceler e
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – juntamente com um artigo do próprio
chanceler atual, e convidando a um debate sobre a diplomacia corrente”,
explicou Almeida.
O embaixador defenestrado pode até discordar do “lulopetismo
diplomático”, como ele chama, mas não pode acusar o PT de tê-lo perseguido para
abatê-lo como um pato.
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