Lima
Rodrigues | Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Publicado em:
02/02/2019 Após as
notícias sobre a tragédia do rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do
Feijão, em Brumadinho (MG), que causou a morte e o desaparecimento de dezenas
de pessoas na região, moradores da Área de Proteção Ambiental (APA) do Igarapé
do Gelado estão preocupados com o possível rompimento da barragem de rejeitos
da Mina de Carajás, localizada naquela área, que fica cerca de 40 km de
Parauapebas (PA). A Vale garante que é baixo o risco de rompimento da barragem
da mina de Carajás na região da APA do Gelado.
Solicitada
pela reportagem, a assessoria de imprensa da Vale enviou a seguinte nota:
“As
barragens estão em conformidade não apenas com a legislação ambiental
brasileira, mas, seguem também os mais altos padrões internacionais de
segurança”. No Estado do Pará, todas as barragens da Vale têm modelo de
construção diferente da barragem da Mina Córrego Feijão, em Brumadinho.
A barragem
da Apa do Gelado tem classificação de baixo risco, conforme norma da Agência
Nacional de Mineração (ANM).
São
realizados monitoramentos e inspeções periódicas em todas as estruturas que se
enquadram na Política Nacional de Segurança de Barragens. A empresa montou
ainda um grupo de trabalho que apresentará um plano para elevar o padrão de
segurança das barragens da empresa. O objetivo é superar os parâmetros mais
rigorosos existentes hoje no Brasil e no mundo. “Essa semana, a empresa
anunciou o descomissionamento de todas as suas barragens a montante mesmo
modelo da mina em Brumadinho, todas em Minas Gerais”.
Por causa
disso, os moradores se mobilizaram e convidaram autoridades e representantes da
Vale para uma reunião na sexta-feira (1º) na Escola Jorge Amado, na Estação
Conhecimento da Vale, na APA do Gelado.
O encontro
foi aberto pelo presidente da Associação dos Produtores Rurais da APA do
Igarapé Gelado, Raimundo Batista de Paula. Ele disse que “o objetivo da reunião
era para ouvir esclarecimentos da Vale sobre a questão da segurança das
famílias que moram na APA do Gelado” e pediu que todos ouvissem atentamente as
explicações dos representantes da mineradora.
A primeira a
falar foi a nova diretora da Escola Jorge Amado, Derenice Silveira. Segundo
ela, “a reunião era muito importante porque os pais dos alunos estão
preocupados com a situação, após o rompimento da Barragem em Brumadinho
Em seguida,
o Ouvidor da Prefeitura de Parauapebas, Josemir Santos Silva, destacou que o
prefeito Darci Lermen está atento e em contato direto com a Vale sobre a
questão da barragem de rejeitos da Mina de Carajás e que “a prefeitura já está
tomando todas as providências necessárias para proteger a população daquela
área”.
O Coordenador
da Defesa Civil em Parauapebas, Jales Santos, informou aos moradores que o
prefeito Darci Lermen criou um grupo de trabalho para tratar da questão das
barragens na região e lembrou que as barragens localizadas no município não são
do mesmo modelo das barragens de Minas Gerais. “O prefeito Darci está atento e
preocupado com a situação”, afirmou Jales.
O Gerente de
Desenvolvimento Territorial da Vale, Frederico Baião, disse que “o momento é
tristeza para todos, porque é muito triste perder colegas de trabalho”. Afirmou
que “a empresa está se esforçando muito para dar toda assistência e o mínimo de
conforto para as famílias afetadas pela situação e amenizar todo o impacto da
tragédia causada na Barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, além da questão
ambiental”.
Também
participaram da reunião na APA do Gelado o engenheiro de Segurança da Vale,
Eudes Barros, e o geotécnico Deni Octavio.
Frederico
Baião informou que o modelo da barragem de Brumadinho é diferente do modelo das
barragens da região de Carajás. “Além disso, a Vale segue todos os padrões
vigentes e internacionais e está sempre buscando medidas de segurança para
todos. Esse é o compromisso da Vale”, destacou. Questionamentos
Depois os
moradores começaram a fazer perguntas sobre a segurança na área, demonstrando
preocupação com o possível rompimento da barragem de rejeitos da Mina de
Carajás. Alguns até sugeriram que a Vale indenize todos os moradores da área da
parte baixa da mina na região da APA do Gelado. Teve morador que alertou que
muita gente não sabe onde ficam os pontos de encontros. Outros disseram que não
participaram de treinamento simulado sobre a saída do local em caso de
rompimento da barragem e que a segurança maior é a retirada de todos da área.
A assessoria
de imprensa da Vale informou que “os simulados estão sendo feitos por etapa e
quem não participou ainda, participará em breve, e que foram instaladas no ano
passado 18 sirenes para alertar a população em caso de emergência”.
O agricultor
Manoel Aparecido, que mora perto da Barragem da Mina de Carajás na APA do
Gelado, disse que caso ocorra algum rompimento ele não tem nenhuma chance de
sair do local. “Estou com medo dessa situação”, revelou.
Frederico
Baião reafirmou que “o risco de rompimento da barragem é baixo e que a Vale
sempre presta esclarecimentos sobre rota de fuga, localização de sirenes,
pontos de encontros e simulado para uma eventualidade de rompimento da
barragem”.
Ele
esclareceu ainda que a Vale trabalha com três níveis de classificação: Nível 1:
a empresa detecta uma falha e corrige. Nível 2: essa falha está em processo de
correção e a Vale preventivamente retira as famílias do local para evitar
qualquer risco. Nível 3: a retirada de todos os moradores é obrigatória.
Acrescentou ainda que “a vale tem tomado todas as medidas preventivas para
proteger seus funcionários e a população das áreas onde estão suas barragens de
rejeitos para extração de minérios”. Só no Pará são mais de 90 barragens da
Vale.
O
representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em
Parauapebas, Vitor Garcia Neto, afirmou que o ICMBio está atento na
fiscalização de preservação do meio ambiente na região. “Vale lembrar que nas
áreas a onde se concentram as barragens no Pará foram criadas comissões nas
esferas dos governos federal, estadual e municipal, uma espécie de comitê de
acompanhamento para evitar rompimento de barragens e se preservar vidas”.
Lembrou, inclusive, que no caso da Mina do Salobo, no município de Marabá (PA) e
não tão longe de Parauapebas.
A reunião na
APA do Gelado contou ainda com a presença do presidente da OAB – Subseção
Parauapebas, Deivid Benasor da Silva (a nova presidente Maura Paulina toma
posse dia 14 de fevereiro) e dos advogados Rodrigo Matos e Helder Igor.
O Dr. Deivid
informou aos colonos sobre os ofícios encaminhados à Secretaria Municipal de
Meio ambiente e à Defesa Civil de Parauapebas e manifestou a preocupação da
Ordem dos Advogados com as barragens do Projeto Carajás e vizinhos. Ele disse
ainda que a “OAB adotará todas as medidas administrativas e judiciais para
evitar que a população (urbana e rural) de Parauapebas venha a ser vitimada
como ocorreu em Brumadinho”.
Complexo
Carajás
De acordo
com a Vale, o Complexo Minerador de Carajás, em Parauapebas, é o maior produtor
de minério de ferro em operação do planeta. Engloba a operação simultânea de
cinco minas a céu aberto: N4E, N4W, N5E, N5W e N5 Sul. Das minas de Carajás
saem aproximadamente 35% do minério de ferro produzido pela Vale anualmente.
Uma vez
extraído, o minério é peneirado, agregando valor aos diversos produtos
decorrentes desse processo.
Em parceria
com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e com o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA),
o complexo de Carajás contribui para a conservação de uma área três vezes maior
que sua operação, de cerca de 1,2 milhão de hectares, que equivale a 10 vezes o
tamanho de Belém, a capital paraense. As operações da Vale nas minas de minério
de ferro de Carajás estão alicerçadas em um Sistema de Gestão da Qualidade
Ambiental – SGQA, implementado e certificado dentro dos padrões e procedimentos
das normas ISO 9000 (qualidade da produção) e ISO 14001 (qualidade ambiental).
Dentre as ações realizadas em Carajás, a Vale desenvolve um amplo programa de
recuperação de áreas que tem como objetivo a recomposição vegetal das áreas já
mineradas com a utilização de espécies nativas da Floresta Nacional de Carajás.
A empresa mantém ainda uma estruturada rede de monitoramento ambiental que
avalia, sistematicamente, aspectos como a qualidade do ar, dos ruídos e
vibrações e da água.
Carajás é a
maior província mineral do planeta, com reservas estimadas em 18 bilhões de
toneladas de ferro de alta qualidade, o melhor minério de ferro do mundo.
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