Prefeitura
de Marabá pagou R$ 386 milhões em salários; veja os mais altos.
Tião Miranda
recebeu como “herança maldita” de João Salame uma prefeitura endividada e
enforcada com a Lei de Responsabilidade Fiscal. No final de 2016 O prefeito Tião Miranda, que comanda
o principal município do sudeste do Pará, pode dizer que teve um ano bom. Pelo
menos, sob a ótica do cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Durante os 365 dias de 2018, o gestor — conhecido por sua austeridade com os
recursos públicos, ou popularmente “mão de vaca” — ordenou despesa para pagar,
pontualmente, a terceira maior folha salarial entre as 144 prefeituras do Pará.
A Prefeitura
de Marabá liquidou R$ 385,93 milhões em salários e remunerações, segundo consta
do Relatório de Gestão Fiscal (RGF) do 3º quadrimestre que o governo de Tião
entregou ontem, sexta-feira (1º), à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Com
esse montante gasto, Tião comprometeu 48,29% da receita líquida apurada no ano,
de R$ 799,17 milhões. O máximo permitido pela LRF é de 54% da receita. Distante
da margem de corte, o prefeito “mão fechada” triunfou.
Desde que
assumiu Marabá em 2017, Tião tem se esforçado para organizar as finanças
públicas do município. Ele recebeu uma prefeitura endividada e estourada, com
relação à despesa com pessoal, perante a lei. O Blog do Zé Dudu puxou a ficha
da prefeitura desde 2016 e constatou que o gestor anterior, João Salame, deixou
Marabá com folha de pagamento na casa de R$ 385,79 milhões, o correspondente a
56,41% dos R$ 683,89 milhões em receita líquida apurados naquele ano.
Por causa da
“herança maldita”, Tião entrou em 2017 repercutindo os feitos e efeitos de seu
antecessor, ainda assim tendo conseguido, já de início, derrubar o comprometimento
da receita para 54,61% em abril. No final de agosto, a margem caiu mais um
pouquinho, para 54,04%. E, de forma brilhante, encerrou aquele ano no
percentual de 49,26%, bem abaixo dos limites máximo (54%) e prudencial (51,3%).
Em 2018, o
ano foi ainda melhor, com um ponto de equilíbrio que não ultrapassou 49%. E foi
encerrado em percentual que não avançou sequer o limite de alerta, cuja sirene
é ligada quando o gestor compromete 48,6% da receita com a folha. Em termos
comparativos, Tião desembolsa pontualmente hoje com a despesa dos 9.290
servidores da administração e com os 840 do Instituto de Previdência Social dos
Servidores Públicos do Município de Marabá (Ipanema) o mesmo valor que João Salame
gastava três anos atrás.
Veja também:
Prefeitura de Xinguara avança sinal vermelho da Lei de Responsabilidade Fiscal
O maior
salário pago em Marabá no mês de dezembro foi a um procurador de carreira (R$
26,5 mil líquidos). Em seguida, aparece o prefeito Tião Miranda (R$ 22,2 mil),
um administrador (R$ 21,5 mil), um médico ginecologista (R$ 21,1 mil) e
procurador de carreira e engenheiros civis (com salários líquidos variando
entre R$ 12,7 mil e R$ 18,7 mil). Você pode conferir aqui os salários pagos a
todos os servidores ativos da Prefeitura de Marabá.
Comparações
Mesmo sendo
o principal município da Mesorregião do Sudeste Paraense, do ponto de vista
demográfico e de serviços, Marabá é menos “rico” que seu filho ilustre,
Parauapebas, tanto na produção efetiva de riquezas (sob a ótica mensurada em
Produto Interno Bruto) quanto na arrecadação (sob a perspectiva da receita
corrente líquida). Embora sua economia seja plural, baseada num portfólio de
commodities que geram divisas, como minérios (cobre e manganês), gado e
produtos agrícolas, perdem para a de Parauapebas, município, entretanto,
unicamente sustentado pelo minério de ferro — ou melhor, pela mineradora
multinacional Vale de quem Marabá depende, mas em escala infinitamente menor.
A Prefeitura
de Parauapebas arrecadou, ao longo de 2018, cerca de R$ 350 milhões a mais que
a Prefeitura de Marabá. E o governo de Darci Lerem gastou muito mais (R$ 506
milhões) com menos servidores (cerca de 7.100 servidores) que o de Tião
Miranda. O ponto fora da curva, em Parauapebas, justifica-se por sua supremacia
na arrecadação de royalties de mineração e do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS), em que a “Capital Nacional do Minério de Ferro”
massacra a “Capital Nacional do Cobre”.
Apesar de
“perder” para a Prefeitura de Parauapebas (é discutível a vantagem de este
município depender apenas da Vale), a Prefeitura de Marabá ganha literalmente
das prefeituras de suas rivais indiretas Imperatriz (MA) e Araguaína (TO), com
as quais compartilha as funções de capitais regionais mais influentes da
Amazônia Oriental.
O Blog levantou que a Prefeitura de Imperatriz
arrecadou R$ 662,85 milhões líquidos ao longo de 2018 e comprometeu R$ 342,53
milhões com servidores (51,68% da receita e, portanto, acima do limite
prudencial). Já a Prefeitura de Araguaína acumulou R$ 407,47 milhões em receita
corrente líquida e usou R$
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