Porta-voz
dos bombeiros, tenente Aih A chuva de pétalas que os bombeiros organizaram em homenagem às vítimas
do desastre de Brumadinho, nesta sexta (1º), terminou como um ato de reverência
a quem passou os últimos 8 dias vasculhando a lama de rejeitos da Vale atrás de
sobreviventes e mortos.
O mais
requisitado era o tenente Pedro Aihara, 25, porta-voz da corporação que
despertou respeito, elogios e admiração de quem acompanha o noticiário sobre a
tragédi Um grupo de cerca
de 15 pessoas fazia fila para tirar uma selfie com Aihara, cumprimentá-lo e
agradecer pelos esforços, em frente ao posto de comando montado em uma
faculdade. Outros bombeiros também receberam um boneco de super-herói e flores.
Uma delas
era a bióloga Sther Moreira, de 60 anos, que trabalha desde terça-feira (29)
como voluntária no cadastramento dos atingidos. Ela reservou um tempo no
trabalho para tirar uma foto com Aihara. “Pelo trabalho dele, pelo
profissionalismo, a atenção que ele tem com as pessoas, de maneira geral”, diz
Sther.
a humana e
ambiental.ara é tietado para selfies e ganha fãs Outro grupo de dez mulheres foi de Belo Horizonte, com
a imagem de Nossa Senhora Aparecida, para fazer orações às vítimas e levar
flores à equipe de resgate. A elas, o tenente mostrou o escapulário que usa
como proteção. O número
de seguidores de Aihara saltou de 3 mil para quase 120 mil no Instagram desde
que começou a relatar os trabalhos de resgate com um discurso eloquente, seguro
e tranquilo. Ele diz que a tietagem representa mais que a demonstração de
carinho exclusivamente com ele.
“O que faço
é apenas transmitir o trabalho destes grandes heróis. Esses, sim, merecem todo
o reconhecimento e todo tipo de aplauso”, diz Aihara.
“Quando a
gente fala de vidas humanas, se a gente tem uma informação errada, pode
impactar negativamente na vida de uma família de uma maneira muito intensa.
Então, em primeiro lugar, eu tenho noção dessa responsabilidade. Em segundo
lugar, é uma operação muito difícil, porque são muitas agências envolvidas. São
muitos dados que chegam, a gente tem que verificar esses dados, são muitas
demandas”, completa. Solteiro,
cruzeirense e especialista em desastres.
O
belo-horizontino Aihara é solteiro, namora e torce para o Cruzeiro. Entrou em
2012 para o Corpo de Bombeiros, onde é conhecido como Japa. É formado em
direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem curso de
especialização em prevenção de desastres pela Universidade de Yamaguchi, no
Japão, e de gestão de projetos, na Universidade de São Paulo (USP).
Desde que o
início dos trabalhos em Brumadinho, na sexta (25), dorme entre 4 e 5 horas por
dia. Mesmo assim, atende os jornalistas com paciência e recebe os fãs com
simpatia. Neste sábado (2), ele foi homenageado por 6 integrantes do Movimento
dos Atingidos por Barragens.
O professor
universitário e diretor do Instituto Brasileiro de Expedições Sociais (Ibes),
Victor Hugo Bigoli, foi de São Caetano do Sul (SP) para Brumadinho para ajudar
no atendimento na área de saúde pelo projeto Canudos.
“Presenteamos
todos eles com rosas vermelhas e um bonequinho de super-herói. E aí foi
comoção, todo mundo se abraçando”, conta o professor Victor Hugo Bigoli.
Ele também participou das
operações de busca na tragédia de Mariana, quando o rompimento da barragem da
Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, matou 19 pessoas e destruiu
comunidades. Mas, em 2015, sua atuação foi bastante diferente da desempenhada
hoje. Na época, ele trabalhou no planejamento das operações na zona quente do
desastre.
Aihara
passou a representar a corporação depois de ser escalado para participar de
algumas missões que envolviam a articulação entre instituições, e o resultado
agradar seu comandante. “Ele viu que eu desempenhava minimamente bem nisso.
Conseguia agregar pessoas, fazer reuniões, alinhar os interesses de todo
mundo.”
O primeiro
caso de grande repercussão nacional como porta-voz foi o incêndio na creche
Gente Inocente, em Janaúba, no Norte de Minas, em 2017. Um vigia jogou álcool
nele e nas crianças e ateou fogo. Quatorze pessoas morreram.
“Foi uma
ocorrência muito difícil pela característica de ter crianças, afeta muito à
gente e de presenciar de muito de perto o sofrimento de todas essas famílias,
especialmente das mães. Então, por mais que a gente seja preparada para lidar
com isso, é uma coisa que toca muito a nosso coração”, diz.
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