segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019



Usina de processamento de S11D, no sudeste do Pará, que usa a mineração a seco — Foto: Ricardo Telles/DivulgaçãoUsina de processamento de S11D, no sudeste do Pará, que usa a mineração a seco — Foto: Ricardo Telles/DivulgaçãoUsina de processamento de S11D, no sudeste do Pará, que usa a mineração a seco — Foto: Ricardo Telles/Divulgação
O rompimento das barragens de Mariana e de Brumadinho, em Minas Gerais, com o colapso das estruturas de rejeitos úmidos de minério de ferro, trouxe à tona a discussão sobre a necessidade de encontrar alternativas para a atividade da mineração no país. O processamento de minério a seco vem sendo implantando gradativamente pela Vale, mas especialistas apontam que o método é bem mais caro.
De acordo com a Vale, atualmente, 60% das operações da empresa usam o beneficiamento a seco, que não gera rejeitos e, portanto, não utiliza barragens.
O desastre de Brumadinho deixou ao menos 110 mortos, e 238 pessoas estão desaparecidas. Já o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorreu em novembro de 2015, deixou 19 mortos e causou uma enxurrada de lama que gerou graves danos ambientais.
Em 2016, a Vale havia anunciado que iria reduzir o uso de barragens até 2025, com a diminuição na produção de 700 milhões de toneladas de rejeitos. O objetivo da empresa era ampliar a utilização do beneficiamento a seco para 70% da produção até aquele ano. Em Minas Gerais, a promessa era chegar a 50%, sendo que em Mariana e no Complexo de Paraopeba, em Brumadinho, a empresa pretendia atingir progressivamente 100% de beneficiamento a seco “nos próximos anos”.
No entanto, segundo a Vale, em MG, a produção com o método passou de 20% em 2016 para 32% no ano passado.
A Vale informou que pretende continuar ampliando a porcentagem de minas com beneficiamento a seco, de acordo com as possibilidades, em função do teor de ferro de cada mina.
No Norte do país, onde fica o complexo minerador S11D, em Carajás, no Pará, 80% da produção já é com processamento a seco. Questionada, a Vale não informou os demais locais onde o método é usado.
Nesta semana, a Vale decidiu fechar 10 barragens a montante, mesmo modelo das que desmoronaram em Mariana a Brumadinho. E o governo de Minas Gerais deu 3 anos para as empresas eliminarem as 50 barragens como as de Brumadinho e Mariana.
A retomada das operações da Vale será possível por meio de investimentos em tecnologias de processamento a seco do minério de ferro para evitar o risco de acidentes associado ao uso de barragens.
Segundo a Vale, a transição do processamento a úmido para seco não implica novos investimentos, uma vez que o processo não exige grandes adaptações às plantas das usinas. No processamento a úmido, são necessárias as seguintes etapas: britagem, peneiramento, flotação e concentração. No processamento a seco, há somente britagem e peneiramento.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/02/01/mais-cara-mineracao-a-seco-e-alternativa-a-barragens-apontam-especialistas-entenda.ghtml

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