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TRF1 determina paralisação imediata da mineração Onça
Puma, da Vale, por danos causados a povos indígenas no PA
A Vale divulgou uma nota afirmando que deve recorrer e
reafirmou "a inexistência de danos gerados pela atividades de
mineração".
Por G1 PA — Belém
02/03/2019 16h44 Atualizado há uma hora
Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1)
ordena a paralisação imediata das atividades da mineração Onça Puma,
subsidiária da Vale, que segundo ação do Ministério Público Federal (MPF),
causou danos ao povo indígena Xikrin, pela contaminação do rio Cateté, em Ourilândia
do Norte, sudeste do Pará.
A Vale divulgou uma nota afirmando que deve recorrer e
afirmou "a inexistência de danos gerados pela atividades de mineração, o
que já foi comprovado por sete laudos periciais".
Esta já é a quinta vez que os tribunais superiores, em
Brasília, barram recursos da empresa, que segundo o TRF1, tenta suspender
compensações aos indígenas. Um recurso do governo do Pará, a favor da
continuidade das operações, também já foi barrado no Supremo Tribunal Federal
(STF).
Na decisão mais recente, o TRF1 havia negado pedido feito
pela Vale para retomar as operações em Ourilândia. A Vale disse, na época, que
ainda avaliava o teor da decisão.
Nesta nova decisão, expedida no último dia 26 de fevereiro,
o desembargador Antonio Souza Prudente, determinou prazo de cinco dias para que
oficiais de Justiça, acompanhados de técnicos do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente (Ibama), fossem até a empresa para atestar a paralisação. O
desembargador ainda determinou a comunicação imediata da paralisação ao
presidente da Vale, por email.
O TRF1 informou que a paralisação já havia sido determinada
em duas ordens anteriores do Tribunal e a mineradora chegou a ficar 40 dias sem
funcionar em 2015. As operações chegaram a retornar até a apreciação de recursos
da empresa, segundo o tribunal.
Ainda de acordo com o Tribunal, a Vale também está obrigada
a depositar compensações para três aldeias do povo Xikrin e quatro do povo
Kayapó, que já alcançam R$50 milhões.
O montante, segundo a decisão, deve ser pago pela Vale até
que seja implementado o Plano de Gestão Econômica e Ambiental e demais medidas
compensatórias aos indígenas. O plano deve depender de estudos de impacto sobre
danos causados aos indígenas, que estão sendo conduzidos por peritos indicados
pela Justiça.
De acordo com a Vale, as atividades de Onça Puma estão
paralisadas desde setembro de 2017. Em nota, a empresa disse que realiza
depósito de um salário mínimo por indígena em conta judicial aberta pela Vara
Federal de Redenção. De acordo com a Vale, as atividades de Onça Puma estão
paralisadas desde setembro de 2017. Em nota, a empresa disse que realiza
depósito de um salário mínimo por indígena em conta judicial aberta pela Vara
Federal de Redenção.
“A Vale informa que as atividades de mineração de Onça Puma
estão paralisadas desde setembro de 2017 e que o depósito de um salário mínimo
por indígena é realizado em conta judicial aberta pela Vara Federal de
Redenção”. Os valores depositados permanecem bloqueados, não sendo liberados
aos indígenas, por decisão judicial.
A empresa informa ainda que já foram feitos dois autos de
constatação por Oficiais de Justiça da Vara de Redenção, declarando que as
atividades nas minas de Onça e Puma estão paralisadas, inclusive com barreiras
de acesso, o que foi também constatado em laudos periciais.
A Vale apresentará recurso contra a decisão, e reafirma a
inexistência de danos gerados pela atividade de mineração no rio Cateté, o que
já foi comprovado por sete laudos periciais (engenharia metalúrgica,
biólogo/ictiofauna, sociológico, agronômico, engenharia florestal, engenharia
civil e geologia) indicados pelo Juiz Federal de Redenção.”.
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