terça-feira, 5 de março de 2019


Policiais militares quebram o braço de homem dentro de delegacia em Atibaia
Caso aconteceu na noite deste domingo (3) após confusão em festa de carnaval. Vítima é dirigente do PT; vídeo com homem sendo rendido circula nas redes sociais.
Po Policiais militares quebraram o braço de um homem dentro de uma delegacia de Atibaia (SP), após confusão em uma festa de carnaval na noite deste domingo (3).
Dirigente do PT em Atibaia, Geovani Doratioto, de 29 anos, resistiu à prisão, segundo a polícia. O delegado que atendeu a ocorrência negou inicialmente que policiais tenham causado a fratura e que houve motivação política.
A Secretaria de Segurança Pública informou que os Policiais Militares envolvidos no caso foram afastados e só devem voltar a suas funções após a conclusão do Inquérito Policial Militar instaurado para apurar a conduta dos mesmos.
O caso veio a público após circular pelas redes sociais um vídeo que mostra o dirigente do PT sendo rendido.
Em entrevista ao G1, Doratioto, que é secretário de organização do PT de Atibaia e advogado, disse que foi vítima de perseguição política e de truculência dos policiais. Ele afirma que a confusão começou após ser atacado por um grupo de foliões enquanto fazia uma campanha com um grupo do PT para conscientizar as pessoas sobre assédio contra a mulher.
"Ouvimos uma série de ofensas de um grupo que se mostrou descontente por eu estar com a camiseta escrita 'Lula Livre'. Quando iríamos para a segunda parte da nossa divulgação, tive um pequeno bate boca com um rapaz, que me deu um soco no olho. Nesse momento houve uma confusão", afirma.
O advogado afirma que foi orientado a ir até a Santa Casa e lá foi novamente ofendido. No local, ele alega que tentou se identificar para policiais e foi detido por guardas civis e policiais militares.
"Nem cheguei a ser atendido na Santa Casa. Foram duas algemas e me jogaram dentro do camburão. Bati a cabeça dentro da viatura. Estava doendo demais e eu estava pedindo para que tirassem as algemas", disse.
Por causa da confusão, ele foi conduzido para a delegacia e, segundo a Polícia Civil, desacatou uma escrivã e policiais militares. Ele resistiu à ordem de prisão e os policiais militares o imobilizaram, momento em que, segundo Doratioto, o braço dele é fraturado.
"Foi quando um policial me deu uma gravata e outro puxou meu braço para trás e faz o movimento com intuito de quebrar meu braço. Quebrei o úmero e fiquei com parte de movimentos da mão esquerda temporariamente limitados", afirmou.
Para ele, a ação foi motivada por perseguição política e da violência policial.
Polícia nega acusação
Segundo o delegado Elton Costa, que registrou a ocorrência, a prisão do advogado aconteceu por causa da confusão e do desacato aos policiais. "Não teve nenhuma motivação política. Ele estava alcoolizado causando problemas", disse.
O delegado destaca ainda que Doratioto estava muito alterado e tentava brigar com as pessoas no hospital, inclusive desacatando os policiais que atendiam a ocorrência. Na delegacia, o advogado ainda teria feito ameaças a uma escrivã.
Costa ainda afirmou que não considera ter havido erro na abordagem dos policiais militares. "Considero que foi a força necessária para repelir a ação dele. Se ele tivesse cumprido a ordem, nada disso teria acontecido. Ele foi levado para delegacia por tudo que ele fez antes. Os policiais não agiram de forma errônea. Ele estava afrontando policias, causando problemas desde a Santa Casa, estava mais de hora sendo advertido, orientado a fazer e seguiu causando problemas", afirmou.
A Polícia Civil registrou boletins de ocorrência contra Doratioto por desacato, resistência à ordem de prisão, lesão corporal e injúria. Ele foi liberado após pagar fiança de R$ 1 mil.
Após o vídeo viralizar nas redes sociais com a confusão na delegacia de Atibaia, o PT emitiu uma nota em que exige providência dos fatos.
"Comportamento inadmissível e que exige das autoridades competentes da Secretaria de Segurança Pública e da Corregedoria da polícia providências imediatas para quê não tenha em seus quadros servidores como este".
O partido ainda manifestou solidariedade ao advogado e cobrou punição ao policial.



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