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Em Pacaraima, fronteira com a Venezuela amanhece fechada
pelo 12º dia.
Comerciantes enfrentam problemas com queda nas vendas;
crianças venezuelanas que estudam na cidade brasileira correm o risco de perder
o início das aulas, marcado para a quinta-feira (7).
Por Jackson Félix, Emily Costa e Alan Chaves, G1 RR.
Amanheceu fechada nesta terça (5), pelo 12º dia consecutivo,
a fronteira entre Brasil e Venezuela por Pacaraima, em
Roraima. A expectativa era de que a passagem, Maduro, fosse permitida a
partir de quinta-feira da semana passada (28), o que ainda não ocorreu.
O bloqueio entre os dois países já tem reflexos locais.
Desde a
sexta (22), quando a fronteira foi fechada pelo primeiro dia, as
lojas começaram a fechar mais cedo em meio à falta de clientela e à preocupação
de empresários, que agora já começam a pensar em demissões.
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“Hoje a gente sabe quem é a população de Pacaraima e quem
são os venezuelanos e a importância deles para o comércio de Pacaraima. Agora a
gente vê que tem mudança. Aqui é lotado de gente, hoje não tem ninguém”, diz
Regina Fontenele, que trabalha há 20 anos em Pacaraima.
Desde o fechamento da fronteira, o fluxo de pessoas que iam
de carro até a cidade desapareceu.
"Pra nós, foi a pior crise já enfrentada, nos afetou
muito”, diz Osmar Cardoso, que mora há três anos na cidade. O comércio não é o único
afetado. A fronteira fechada também ameaça o início das aulas, marcado para
esta quinta (7), para crianças
venezuelanas que estudam em Pacaraima.
Segundo Abraão Oliveira da Silva, secretário de Educação
de Pacaraima, a rede municipal de ensino, que retoma as aulas na próxima
semana, tem 2.135 estudantes matriculados, dos quais 60% são venezuelanos e
cerca de 200 vivem na cidade venezuelana fronteiriça.
"O calendário escolar foi bastante debatido e será
mantido com o início das aulas na quinta-feira [7] mesmo se a fronteira
permanecer fechada", afirmou o secretário ao G1. "Se a gente
muda o calendário, prejudica ainda mais estudantes", explicou.
De acordo com ele, neste ano o município também não vai
ofertar transporte escolar para buscar estudantes que vivem em Santa Elena, o
que ocorria até o ano passado. A mudança, conforme o secretário foi estabelecido
por que "não há respaldo legal algum para que os ônibus brasileiros
atravessem até o outro lado".
Discurso em Caracas Nesta segunda (4), o autoproclamado presidente
interino, Juan Guaidó,
discursou
para apoiadores em Caracas. Ele conseguiu entrar no país sem problemas
depois de participar de reuniões em capitais sul-americanas com os presidentes
da Colômbia, do Brasil, do Paraguai, da Argentina e do Equador.
"Vamos com tudo até conseguir a liberdade do nosso
país", discursou, convocando uma nova mobilização para o próximo sábado
(9). Em sua fala em Caracas, Guaidó afirmou que seu passaporte ficou
"intacto" ao voltar, apesar do descumprimento da ordem do tribunal
controlado por Maduro, que o proibia de deixar o país.
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