Bahia
encontro-estadual
Encontro
Estadual aponta os desafios da luta pela terra na Bahia
“Vamos
retomar o trabalho de base nos assentamentos e acampamentos”, afirma dirigente
Sem Terra21 de dezembro de 2018 12h06.
“Fere-se a
nossa existência, seremos resistência”, essa foi uma das palavras de ordem do
31º Encontro Estadual do MST na Bahia, que aconteceu entre os dias 14 e 17/12,
no Parque de Exposições Agropecuária de Salvador.
O encontro
contou com a participação de 1.500 militantes, assentados e acampados de dez
regiões da Bahia, para reafirmar a mística e a construção da Reforma Agrária
Popular na centralidade das lutas do próximo período.
Além disso,
o evento homenageou o militante Márcio Mattos, que foi assassinado em janeiro
deste ano, analisou o atual cenário político e avaliou os desafios organizativos
do MST no estado.
De acordo
com Lucinéia Durães, da direção nacional do MST, o encontro cumpriu,
principalmente, o objetivo de fazer um balanço em torno das lutas do Movimento
e provocar o conjunto da militância Sem Terra a avançar no processo de estudo e
formação.
Divulgação MST
“Não podemos
perder de vista o que significa a Reforma Agrária para cada camponês, mas
também a Resistência Ativa, que esta sendo uma base política de nossas
discussões todos os dias nos assentamentos e acampamentos”, explica a dirigente
e continua: “o nosso encontro por si só fala desta resistência ao homenagear
Márcio Matos, que mesmo tombado na luta, continua sendo resistência contra o
capitalismo e qualquer forma repressão”.
Adailton
Souza, morador do acampamento Abril Vermelho, em Juazeiro, no Norte da Bahia,
ao participar do encontro, disse que é muito importante a militância se inserir
nesses debates mais conjunturais que o Movimento tem provocado nos últimos
meses. “O encontro com esse caráter de estudo, massivo, aonde propõe refletir
sobre os acontecimentos do último pleito, direciona nossas ações em 2019”,
afirmou Souza.
Ciranda
Se na
plenária o tema da Resistência Ativa ganha destaque, a ciranda infantil garante
a diversão e o aprendizado com as brincadeiras de roda, pintura e diversos
gritos de ordem.
Cerca de 52
crianças Sem Terrinha estudaram os temas da plenária com uma metodologia
diferenciada, aprendendo brincando o significado da mística e da luta pela Reforma
Agrária Popular na Bahia.
Saúde
Outro
espaço, que fez interface com as discussões da programação do encontro, foi o
da saúde popular. Com o objetivo de garantir o bem estar dos participantes, a
tenda da saúde marcou presença realizando 326 atendimentos durante os quatros
dias de evento.
A saúde
também garantiu o desenvolvimento da medicina popular, através de prática como a
ventosa terapia, massoterapia, auriculoterapia, limpeza de ouvido, ficoterapia,
alinhamento de coluna, triagem e satura.
Tenda da
Saúde montada durante o Encontro Estadual. Foto: Divulgação MST
Atividades
culturais
Durante as
noites, os trabalhadores resgataram as lutas e as principais manifestações
culturais, com espetáculos teatrais, muitos forró e samba.
Ainda nessa
perspectiva, o MST realizou uma homenagem aos amigos que sempre estiveram
presentes na caminhada do Movimento e contou com a presença de militantes
históricos, como o deputado federal Valmir Assunção (PT).
Mobilizações
O ano de
2018 foi um ano intenso de lutas para o MST na Bahia. Nas 17 maiores cidades do
estado aconteceram mobilizações. Além disso, Brás foi fechado nas manifestações
em defesa da democracia e ocorreu a participação do Movimento em atos, no
interior e na capital, pelo #Elenão. No mesmo ano, ainda foram realizadas 25
ocupações de terra em grandes latifundiários do estado, 12 despejos e existem
três em andamento.
“Em 2019, os
nossos desafios são muitos, principalmente, no campo da formação, produção,
educação e comunicação. Por isso, é central: vamos retomar o trabalho de base
nos assentamentos e acampamentos”, pontuou Durães.
Para ela é
importante intensificar as ocupações, realizar feiras e ocupar os mercados com
produtos da Reforma Agrária. Realizar amplamente o debate de gênero, educação e
da fé, com o objetivo de fomentar o diálogo com a sociedade e outros movimentos
populares.
“Estamos
vivendo um período em que a extrema-direita possui o poder e a força política.
Nós enquanto classe trabalhadora precisou resistir e nos organizar”, concluiu.
Foto: Carlos
Alberto
*Editado por
Wesley Lima.

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