Justiça
derruba 2ª liminar que suspendia negociações entre Embraer e Boeing
Desembargadora
do TRF3 argumenta que não cabe à Justiça decidir sobre o futuro da Embraer;
acordo foi anunciado em julho e dará origem a companhia de aviação avaliada em
US$ 5,26 bilhões.
A Justiça
Federal derrubou na madrugada deste sábado (22) a liminar
que suspendia a negociação entre a brasileira Embraer e a americano
Boeing, concedida pela 24ª Vara Cível Federal de São Paulo. A decisão é da
desembargadora Therezinha Caxeta, presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª
Região (TRF3), e atende a recurso
da Advocacia-Geral da União (AGU).
As duas
gigantes firmaram acordo para criar
uma nova empresa de aviação civil no Brasil, da qual a Boeing será dona
de 80% e a Embraer, de 20%. As tratativas estavam paralisadas desde o último
dia 19, porção de trabalhadores da Embraer.
Os
sindicalistas alegam que o negócio fere regras de mercado. Eles consideram que
haveria uma incorporação da Embraer pela Boeing, e não apenas uma associação
entre as empresas para um projeto específico. Já a AGU defende que a suspensão
fere a livre iniciativa e configura intervenção estatal em acordos privados.
2ª
suspensão da parceria
Esta é a
segunda vez que as negociações voltam a ser autorizadas após serem
interrompidas. No último dia 10, o TRF3 suspendeu
outra liminar que impedia
o andamento das transações. Ela também havia sido concedida pela 24ª
Vara Cível Federal de São Paulo, em ação movida por dois deputados federais.
Na decisão
deste sábado, a desembargadora destaca que não cabe à Justiça decidir sobre o
futuro da Embraer.
"Estado-juiz não é
detentor de 'Golden sare'. À reserva de jurisdição incumbe a proteção de
direitos, no sentido forte do termo, e não a definição dos rumos da maior
sociedade empresária brasileira de aviação" escreveu.
Golden sare
é uma ação de classe especial que dá direito a veto em decisões estratégicas de
uma empresa, como a transferência de controle acionário. O governo brasileiro
detém um papel desse tipo na Embraer e, portanto, ainda previas aprovar o
acordo.
Segundo a
desembargadora, isso não significa que não se reconhece o caráter estratégico
da atuação da Embraer, nem que ele não deva ter a tutela do Estado, mas
"que existem vias institucionais próprias para o exercício dessa
proteção".
Caso o
governo aprove o acordo, o negócio ainda será submetido à aprovação dos
acionistas, das autoridades regulatórias, e outras condições para a conclusão
da transação, segundo a Embraer.
Detalhes
do acordo
A nova
empresa criada pela Boeing e Embraer, uma joint venture, é avaliada em US$ 5,26
bilhões. Inicialmente, quando as duas empresas assinaram um memorando, em
julho, o valor
era estimado em US$ 4,75 bilhões. Nos termos do acordo, a
norte-americana deterá 80% do novo negócio e a Embraer, os 20% restantes.
Esta semana,
o presidente e CEO da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou que a
parceria com o Boeing deve
criar o maior grupo de aviação do mundo. "Acreditamos que o acordo
vai acelerar o crescimento da empresa", disse a investidores.
Quando
Boeing e Embraer anunciaram intenções de se unir, em 2016, a expectativa era de
que pudessem criar um negócio capaz de fazer frente à união
entre suas maiores concorrentes, a europeia Airbus e a canadense Bombardier,
que uniram forças em 2017.
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