“Nós temos
que mudar o sistema”, diz futuro presidente Wilson Leite em entrevista.
Wilson Leite
(PDT) foi eleito o novo presidente da Câmara Município de Canaã dos Carajás na
sessão
extraordinária realizada na quinta-feira, 6, onde foi eleito com
favoritismo e, em chapa única.
Uma semana
após a eleição, Wilson Leite concedeu uma entrevista
exclusiva ao Portal Canaã, onde falou de vários temas como,
mudanças de lado, a nova presidência, relação com o executivo, pretensões
políticas e problemas do município.
Na
entrevista, intermediada pela repórter Silvia Lopes, foi questionado se quando
assumisse, o vereador pretendia “derrubar o sistema”, respondendo logo de
prontidão Wilson falou:
“Eu não
diria que iria contra o sistema, eu diria que.
Eu não
diria que iria contra o sistema, eu diria que nós temos que mudar o sistema. O
Brasil passa por um momento diferenciado, e bater de frente não é o caminho, o
caminho é sensibilizar o gestor de que o modelo da velha política não
funciona mais. “Eu não quero ser um fiscal, a palavra fiscal é muito forte, o
papel do parlamentar é ser um orientar, e nós vamos ajudar ao prefeito a gerir
os recursos públicos, acho que esse é um viés que tem que ser seguido, dialogar
é sempre o melhor caminho”.
Também foi
questionado ao vereador sobre sua passagem como Líder de Governo, após ganhar
notoriedade ao criticar problemas do município e, a saída, após 10 meses dessa
representatividade na Câmara, o que gerou bastantes discussões nos bastidores.
Confira a
entrevista na íntegra:
Portal
Canaã – Por cerca de 10 meses, você como Líder do Governo no Legislativo, fez a
ponte entre os dois poderes, qual teria sido o motivo para você “abandonar o
barco” recentemente?
“Eu diria
que o meu convite para a liderança do Governo foi mais uma estratégia de ambas
as partes, tanto da parte do governo que me convidou, quanto da minha que
aceitou. Eu vinha tendo uma posição um tanto firme, eu não diria de oposição,
mas de destacar as problemáticas do município nas quais o governo não dava
muita atenção, então, a minha estratégia era tentar uma aproximação para tentar
sensibilizar o prefeito de que havia a necessidade de executar muitas coisas
que não estava sendo feitas. Para se tiver uma ideia, aqui na cidade existem
ruas que estão sendo tomadas pelo matagal e o prefeito não conseguiu sequer dar
limpeza. A minha ideia era que ele contratasse uma empresa terceirizada para
realizar o serviço, com isso, iria gerar ao menos 200 vagas de emprego.
Infelizmente o prefeito não é muito acessível às ideias que são boas. Chegaram
a comentar nas redes sociais que eu havia me vendido que tinham descoberto o
preço do vereador, mas essa não é a verdade. Têm coisas na política que são
injustas e a gente tem que absorver “de boa”. O meu intuito era ajudar o
município e o meu acordo com o prefeito era de que ele iria tomar as
providências com relação à saúde, uma vez que ainda hoje existem pessoas
aguardando para fazer exames ou se consultar com especialistas há mais de um
ano. É inadmissível esse município ainda não ter certos profissionais da área
da saúde. Esse era o meu objetivo, ajudar o município, no entanto, eu vi que
“dessa mata não ia sair coelho”. Foi aí que decidi caçar em outro setor”.
Portal
Canaã – Quando assumir a presidência da Câmara, você pretende derrubar o
sistema?
“Eu não
diria que iria contra o sistema, eu diria que nós temos que mudar o sistema. O
Brasil passa por um momento diferenciado, e bater de frente não é o caminho, o
caminho é sensibilizar o gestor de que o modelo da velha política não
funciona mais. Eu não quero ser um fiscal, a palavra fiscal é muito forte, o
papel do parlamentar é ser um orientar, e nós vamos ajudar ao prefeito a gerir
os recursos públicos, acho que esse é um viés que tem que ser seguido, dialogar
é sempre o melhor caminho”.
Portal
Canaã – Fala-se em Wilson Leite como sendo um homem bastante articulado
politicamente, dessa forma, a população de Canaã o terá como candidato a
prefeito em 2020?
“Quando
eu digo que ‘onde está o seu tesouro, lá está seu coração’, eu quero dizer que
aqui está o meu maior patrimônio que é minha família, minha empresa, então eu
tenho que ter zelo por eles. Isso não nos torna articuladores, isso nos faz
ficar atentos aos acontecimentos da politica, porque, quer queira, quer não, a
política é quem dita à regra no mundo. E com relação a 2020, eu diria que tudo
é uma construção. Nós temos 13 vereadores, com partidos políticos interessantes
e fortes, eu diria que é desse meio que vai sair algum candidato. Eu não estou
me lançando candidato, tudo isso vai fazer parte de articulações que serão
feitas. Pode ser eu? Pode. Mas também pode ser outra pessoa. Antes de tudo, nós
precisamos de um projeto para Canaã dos Carajás. Nós queremos sim ser
participantes do desenvolvimento da cidade, mas seu eu vou ser candidato a
prefeito ou não, só o tempo poderá dizer”.
Portal Canaã – Se hoje, o prefeito Jeová Andrade lhe convidasse para uma aliança com o objetivo de lhe
lançar como próximo prefeito, você aceitaria?
“Se fosse
hoje, eu iria agradecer muito pela indicação da pessoa dele que também é um
grande líder, mas eu ia lhe dizer que ainda é muito cedo”.
E lhe diria que “passarinho que alça vôo antes da hora, pode ser abatido em
pleno vôo”.
Portal Canaã – Na semana passada foi assinada a
autorização milionária para a compra do novo prédio da Câmara. Com a falta de
emprego e a necessidade de se investir em saúde, educação, geração de emprego
além de outras áreas em Canaã, em sua opinião,
essa aquisição foi feita em uma boa hora? Havia de fato a necessidade de se
comprar esse prédio nesse momento?
“Eu sou a favor da geração de emprego, entendo também
que o próprio Poder Legislativo, com o orçamento para 2019, não tem condições
de mudar-se para o novo prédio, mesmo que a prefeitura se responsabilize por
toda a reforma. Só a manutenção daquele prédio vai triplicar se hoje nós temos dez funcionários para cuidar da limpeza do
prédio, no ano que vimos nós vamos
precisar de 15, por exemplo. É quase inviável para o Legislativo assumir aquele
prédio. A minha opinião administrativa com relação a essa aquisição é que, de fato, o Poder Legislativo precisa
se estruturar melhor, hoje as próprias secretarias da casa trabalham
espremidas, os vereadores precisam de um gabinete maior, mas eu entendo que no
momento, o Legislativo ainda não tem estrutura para assumir um prédio daquela
envergadura”.
Portal Canaã – Quantas indicações você fez em 2018 e quantas
saíram do papel?
“Eu devo ser o vereador que menos faz indicação. Se você for
avaliar todas as indicações que foram feitas, eu acredito que o Executivo tenha
atendido menos que 10. Indicação é contar a necessidade, agora se o executivo
vai fazer, já é outra história. Acredito que eu devo ter feito umas cinco indicações,
dessas, acho que três foram aprovadas, entre elas: Recuperação das estradas
vicinais – VP cinco, VP 12 e o projeto da construção do
sistema de abastecimento de água da Vila Jerusalém já estão
prontos para sair do papel”.
Portal Canaã – Como presidente da Câmara você vai ser “uma
pedra no sapato” do prefeito Jeová Andrade?
“Esse termo é muito forte, mas eu acredito muito no diálogo e
na coerência. Um dos papéis da presidência é cuidar de vereador e nós vamos
procurar fazer isso direitinho. Pretendo sentar sempre que necessário com
o Poder Executivo e colocando a ele que o município tem muito recurso e esse
recurso tem que chegar ao seu destino, tem que ser aplicado da forma correta.
Eu diria que como presidente, eu vou ser mais parceiro da população e também
parceiro do Executivo. Nós vamos procurar sensibilizar o prefeito acerca dos
trabalhos que estão ficando por fazer, dessa forma, a população só tem a
ganhar”.
Portal Canaã – Como novo presidente da Câmara qual será o seu
diferencial?
“No mundo, não adianta alguém querer ser o mais perfeito, o
mais correto, o que nós temos que fazer é procurar ser o menos imperfeito
possível e procurar transparência sempre. Na minha gestão, nós vamos procurar
ser o mais transparente possível e tornar a Câmara mais próxima da sociedade”.
Portal Canaã – O que houve com os sete vereadores,
inclusive você, que não compareceram na Sessão
do dia 27/11 para a votação do novo presidente da Câmara, sendo que você já era
o candidato mais forte?
“A bíblia diz o seguinte ‘A palavra branda acalma o furor,
mas a palavra dura suscita a ira’. Antigamente, as eleições das mesas diretoras
de Canaã dos Carajás eram resolvidas no “ringue”, portanto, nós resolvemos
mudar isso, resolvemos mudar para o tabuleiro, para o jogo das pedras, o jogo
das estratégias. Esvaziar a sessão do dia 27 foi uma das nossas estratégias
para não partir para o ringue, porque de fato, o cenário do outro lado estava
preparado para isto. Tinha duplicidade de inscrição nas chapas, a mesa diretora
da casa tem soberania para julgar sobre as chapas credenciadas e as não
credenciadas e o outro lado que propunha o fight (briga) tinha soberania sobre
isto, então, ao invés de ir para o embate neste sentido, nós decidimos ir para
o jogo dos tabuleiros, e deu tudo certo, foi a melhor coisa que aconteceu”.

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