terça-feira, 28 de dezembro de 2021
Perereca ameaçada sobrevive bem na Fazenda Água Limpa
MARCELO LEITE E LALO DE ALMEIDA 1 hora atrás
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A chuva tinha parado quando Reuber Albuquerque Brandão, 49, chega às 18h45, acompanhando a reportagem, à Fazenda Água Limpa. Um lobo-guará cruza na frente da Kombi dirigida pelo herpetologista, mas o vertebrado que buscamos é bem menor.
Os 4.500 hectares (4,5 km2) da área experimental da Universidade de Brasília (UnB), a poucos quilômetros do Plano Piloto, fervilham de vida silvestre. Na parte mais alta, a água escorre por gretas no terreno formando pequenos córregos; basta um passo para atravessá-los.
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O coaxar é intenso, e Brandão começa a enumerar os cantores: Dendropsophus minutus, perereca amarela de trinado agudo; Physalemus cuvieri, sapo-cachorro, que late como tal; Boana buriti, perereca-de-pijama, assim apelidada pelas listras que cortam o corpo de ponta a ponta.
Ouvir é uma coisa, ver é outra. O primeiro réptil avistado após o pôr-do-sol não é um batráquio, mas uma cobrinha: Chironius brazili, dois palmos de verde silencioso repousando enroscada sobre folhas de um arbusto do cerrado.
Mais alguns minutos de procura e enfim aparece a vedete vocalizadora da noite: Pithecopus oreades, ou perereca-de-folhagem-oreádica, descrita em 2002 por Brandão. O nome científico do gênero (do grego "pithekos", macaco) alude ao estilo simiesco de locomoção lenta entre galhos, sem saltos.
Ao esticar membros para caminhar de folha a folha, a P. oreades (cujo segundo nome remete às ninfas gregas das montanhas) revela um padrão marcante de vermelho reticulado em preto. O segredo colorido fica oculto entre dobras do verde predominante do corpo quando ela se encolhe.
A perereca depende dos riachos cristalinos para se reproduzir. Fêmea e macho fazem ninhos de folhas enroladas sobre pequenos poços nos córregos, de onde os ovos tornados girinos pingam sobre a água mais calma em que desenvolverão membros e perderão a cauda.
Por causa dessa dependência de águas com temperatura de 20ºC a 27ºC, a perereca serve como um indicador da qualidade das águas que se originam nas áreas altas do cerrado, cerca de 15% do bioma que alimenta boa parte dos rios e hidrelétricas do país. Se desaparecer, é sinal de que os recursos hídricos não vão bem.
Brandão foi procurado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) para estudar a conservação da P. ayeaye, prima da perereca brasiliense que vive na Serra da Canastra (MG) e está criticamente em perigo, segundo a Lista Vermelha de espécies ameaçadas.
Sugeriu então que o projeto abrangesse outras três espécies aparentadas, entre elas a P. oreades, que podia monitorar a meia hora de carro da UnB. Nascia o projeto Conservação de Pithecopus ayeaye, Espécies Relacionadas e Seus Ecossistemas, financiado com US$ 46 mil (R$ 262 mil) pelo CEPF no período 2019-21.
A equipe de Brandão visitou 68 localidades de ocorrência em montanhas e serras, quase sempre áreas frágeis de cerrado, ameaçadas por desmatamento e expansão urbana. Modelos de distribuição das populações indicaram áreas prioritárias para conservação.
Com base nisso, o próximo passo é buscar convencer proprietários a criar reservas particulares de patrimônio natural (RPPNs) em Goiás e Minas Gerais. Enquanto conseguirem ouvir o coaxar das Pithecopus, seres humanos poderão contar com água boa e limpa mesmo na vizinhança da rumorosa capital federal.
*
Os jornalistas Lalo de Almeida e Marcelo Leite viajaram a convite do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF)
Undine', de Christian Petzold, é uma fábula para falar de relações e sentimentos
Luiz Carlos Merten 3 horas atrás
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Meio divertido, Christian Petzold contou, na Berlinale do ano passado, como enganou seus atores, Paula Beer e Franz Rugowski. “Havia ficado encantado com a química dos dois em Em Trânsito e lhes disse que já tinha uma nova história para eles. Acrescentei que estava escrita e era um melodrama com elementos de mitologia grega. Morderam a isca e, a partir daí, só me restou escrever o filme.” No clima descontraído da coletiva, após a apresentação de Undine para a imprensa, a fábula dos bastidores somou-se à fábula na tela. O filme, em cartaz nos cinemas, terminou recompensado pelo júri: Paula Beer venceu o prêmio de melhor atriz.
Na trama de Undine, ela trabalha como guia de visitantes no Berlin City Museum. É uma das áreas preferidas de Petzold na capital alemã. Foi-lhe apresentado por seu amigo cineasta Christoph Hochhäusler. “Com os elementos fantásticos cercando minha personagem central, achei que seria interessante colocá-la no ambiente do museu. Faria todo sentido que ela conhecesse a história da cidade, sendo quem é.”
Paula é uma sereia. Nutre-se do amor dos homens para permanecer sob a forma humana, mas tem um problema - o companheiro tem de ser fiel, ou ela o mata. Logo no início de Undine, ela não apenas está terminando uma relação como começa outra. A ruptura num café provoca uma onda de revolta de intensidade tão grande que o grande aquário ornamental voa pelos ares. No caos que se segue, há uma troca de olhares entre Paula e Rogowski. Algo nasce ali, naquele momento. Petzold: “Para mim, o cinema é um laboratório para falar sobre sentimentos”. Na trama de Undine, ela vive na Terra há mais de 300 anos. Busca o companheiro certo, fiel, e, nesse processo, vivencia a cidade e sua transformações. A arquitetura de Berlim também é personagem.
Referências do passado
Embora já tenha feito filmes de época, como Bárbara e Phoenix, Petzold é atraído por histórias contemporâneas. “É muito estressante recriar o passado na tela. Tantos detalhes de objetos e figurinos. A chance de dar errado é imensa. O paradoxo é que viver numa cidade como Berlim nos confronta a toda hora com referências ao passado - aos crimes do nazismo e à divisão pelo muro.” É nesse mundo complexo que Petzold situa suas histórias que investigam o humano. Yella é sobre uma mulher que foge do passado representado pelo marido violento. Bárbara é sobre uma médica que, no passado, tentou fugir da parte Oriental da Alemanha. E Phoenix é sobre essa judia que ressurge das cinzas para se vingar do marido que, ao que tudo indica, a denunciou aos nazistas durante a 2.ª Guerra.
Nada é simples no cinema de Petzold. Transit é sobre vidas em trânsito. O homem que assume a identidade de um escritor que morreu para tentar fugir da França, invadida pelos nazistas. A mulher do escritor, que ressurge e pode arruinar seu plano. Agora é o mito - Ondina, a sereia. “Li a história quando estava nos meus 20 anos. Quando pensei na história, não fiz nenhuma pesquisa. Tenho 61, usei apenas aquilo de que me lembrava e tentei preencher o restante com o meu conhecimento sobre as pessoas. Ninguém vira cineasta se não estiver interessado no comportamento alheio. Quando digo que o cinema é um laboratório para investigar os sentimentos estou pensando nas pessoas, naquilo que são capazes de fazer, para o bem e para o mal.”
RADAR PARAUAPEBAS: Saiba o que é notícia na Capital do Minério nesta última semana de 2021
Arrecadação bruta da Prefeitura de Parauapebas se aproxima de R$ 3 bi, valor R$ 1 bi acima da previsão feita pela própria prefeitura no orçamento para 2021. É dinheiro pra mais de metro!
Publicado em 27/12/2021
às 13:33
RECESSO LEGISLATIVO
Já está valendo a Portaria 574, assinada pelo presidente da Câmara de Parauapebas, Ivanaldo Braz, que decreta o recesso funcional da Casa. Esta será a semana realmente com atividades suspensas porque, embora os efeitos da portaria tenham começado a partir do último dia 21, na semana passada a Câmara trabalhou bastante com sessão extraordinária e pagamento das rescisões dos comissionados exonerados. O recesso funcional segue até o próximo dia 31
RETORNO AO BATENTE
O parlamento municipal mais rico do Pará deve voltar ao batente na terceira semana de fevereiro, conforme a Portaria 574. Pelo Regimento Interno da Casa de Leis, os servidores da Câmara até retornam ao trabalho em 3 de janeiro, mas numa espécie de “operando em baixa capacidade” até o dia 11 de fevereiro. As chefias devem montar escalas, de maneira que todos os setores funcionem das 8 às 12 horas. Já os vereadores têm autonomia para fazerem seus “corre” da maneira como julgarem conveniente.
EXPECTATIVA DE EDITAL
É grande a ansiedade pelo edital de seleção da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), particularmente pela aparição da graduação em Enfermagem, que trará 50 vagas e será ofertado em regime noturno no campus de Parauapebas. O curso da Ufra, regular e de ingresso anual, será o segundo do gênero de uma instituição pública federal no interior do Pará — o primeiro fora de Belém é ofertado em Breves, na região do Marajó. O acesso ao curso da rural será feito por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
DESPEDIDA DO MINÉRIO
O principal produto da cesta comercial de Parauapebas entra a semana em clima de melancolia e sob forte queda nos portos da Ásia, onde é precificado. Após um ano ardente, com preços que jogaram a fortuna da Prefeitura de Parauapebas a cifras estelares, em decorrência da fartura de royalties, a commodity tem seu comportamento de mercado em dúvida: o preço vai subir forte ou não? Segundo especialistas, o consumo de aço deve enfrentar queda de 1,2% em razão do desaquecimento do mercado da construção na China. Além disso, o avanço da covid no país asiático pesa sobre os mercados. No último fim de semana, o país registrou o maior número de casos desde janeiro.
ARRECADAÇÃO RECORDE
Esta semana, a arrecadação bruta da Prefeitura de Parauapebas deve sacramentar seu recorde, próximo a R$ 3 bilhões, conforme prevê o Blog com base em informações do portal da transparência. O valor líquido fechará a semana (e o ano) em R$ 2,8 bilhões. O valor do faturamento é R$ 1 bilhão superior ao previsto no orçamento municipal. Em 12 meses corridos, entre novembro de 2020 e outubro de 2021, a administração de Darci Lermen acumulou R$ 2,915 bilhões brutos e R$ 2,778 bilhões líquidos, receita maior que a de capitais como Natal, João Pessoa, Florianópolis e Vitória.
COVID-19
Nos últimos sete dias (20/12 a 26/12) foram contabilizados 151 novos casos, com quatro mortes registradas. No total, Parauapebas já tem 57.719 casos de pacientes infectados pelo vírus, além de 507 óbitos registrados. Já são 56.890 os recuperados pelo sistema de saúde local. A taxa geral de ocupação de leitos no município (atualizada às 11h33 deste domingo) está em 23%, sendo que leitos de enfermaria SUS: 22%; UTI SUS: 18%; enfermarias particulares: 26%; UTI particular: 50%. O atendimento exclusivo para pacientes portadores do vírus acontece no Centro Especializado de Atendimento de Covid-19, anexo ao Hospital Geral de Parauapebas.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
Governo Bolsonaro recua e cancela autorizações de garimpo na Amazônia
2 horas atrás
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, cancelou nesta segunda-feira (27) a autorização de sete projetos de pesquisa de ouro em uma das áreas mais preservadas da Amazônia.
O recuo, feito em ato do Conselho de Defesa Nacional, foi publicado no Diário Oficial da União. Como revelou a Folha, o ministro havia dado aval aos projetos de garimpo na região de São Gabriel da Cachoeira (AM), cidade mais indígena do Brasil, onde estão 23 etnias.
O MPF (Ministério Público Federal) no Amazonas instaurou um procedimento de apuração para investigar e fiscalizar as autorizações dadas pelo ministro do GSI, diante do risco socioambiental das medidas. Integrantes do MP suspeitam que os atos buscavam preparar terreno para a mineração em terras indígenas, proposta defendida pelo presidente Jair Bolsonaro.
As autorizações foram cassadas com base em manifestações da ANM (Agência Nacional de Mineração), Funai (Fundação Nacional do Índio) e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
"Considerando as novas informações técnicas e jurídicas, apresentadas diretamente ao GSI, e que serão estudadas pela ANM, o ministro de Estado chefe do GSI, na qualidade de secretário-e xecutivo do Conselho de Defesa Nacional, cassou os Atos de Assentimento Prévio", afirma nota do GSI.
No mesmo comunicado, a pasta comandada por Heleno reconhece que há áreas de requerimento mineral "nos limites" de terras indígenas ou em região com demarcação ainda não homologada.
Heleno, que despacha no Palácio do Planalto e se coloca como um dos principais auxiliares de Bolsonaro, é secretário-executivo do Conselho de Defesa, órgão que aconselha o presidente em assuntos de soberania e defesa. Cabe ao ministro do GSI dar aval ou o não a projetos de mineração na faixa de fronteira, numa largura de 150 km.
Galeria São Gabriel da Cachoeira (AM) Município com maior população indígena do país fica na fronteira com Colômbia https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1666891315689557-sao-gabriel-da-cachoeira-am *** Uma autorização de pesquisa permite "atividades de análise e estudo da área em que se pretende lavrar", conforme a ANM. São os trabalhos necessários para se definir uma jazida de um minério.
As primeiras autorizações para empresas e empresários pesquisarem ouro na região de São Gabriel da Cachoeira foram dadas em 2021, levando-se em conta o levantamento feito nos atos dos últimos dez anos pela Folha.
Os empreendimentos seriam instalados no extremo noroeste do Amazonas, na fronteira com Colômbia e Venezuela. A região, conhecida como Cabeça do Cachorro, é uma das mais preservadas da Amazônia e uma das últimas fronteiras de conservação plena do bioma.
Para toda a Amazônia, Heleno já autorizou 81 projetos de garimpo desde o início do governo Bolsonaro. O ministro defendeu seus atos, no dia seguinte à publicação da reportagem pela Folha.
Segundo o ministro, "é legal autorizar a pesquisa/lavra de minerais, na faixa de fronteira, inclusa a Amazônia". "Respeitadas a legislação e o meio ambiente, continuaremos a mapear nossas riquezas pelo bem do Brasil e do nosso povo", afirmou na segunda-feira (6), em publicação numa rede social.
Os atos do general beneficiaram empresas com áreas embargadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis), inclusive uma empresa com autorização para pesquisar ouro na Cabeça do Cachorro. Também houve aval a garimpeiro que atua com dragas de sucção em leitos de rios da Amazônia
Aumento do fenômeno de dolinas gigantes preocupa Equador
RFI 1 hora atrás
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Governo Bolsonaro recua e cancela autorizações de garimpo na Amazônia
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A frequência da aparição de dolinas no Equador preocupa o país. O fenômeno – de causas naturais, na maioria das vezes – é representado pelo surgimento repentino de um buraco no solo e atinge 22 das 24 províncias equatorianas.
© AP - Pablo Spencer
Do correpondente da RFI em Quito, Eric Samson
A incidência das dolinas é retratada regularmente pela imprensa local, principalmente quando ocorre em plena cidade, quando provoca pânico dos moradores. Cada vez mais, o temor de ver a terra se abrir sob os pés é maior: neste ano, o fenômeno ocorreu 93 vezes no Equador, 53% a mais do que em 2020 (59 registros) e também superior a 2019, quando ocorreu 74 vezes.
A última dolina aconteceu na quarta-feira (22), destruindo uma dúzia de casas e uma estrada perto do vilarejo andino de Chimbo. O solo cedeu no meio da madrugada. Cinco famílias foram atingidas, mas desta vez, ninguém morreu.
Na maior parte das ocorrências, o fenômeno acontece por causas naturais, como após chuvas torrenciais, ressecamento dos lençóis freáticos ou o desmoronamento de grutas subterrâneas. Mas, por vezes, o responsável pela aparição da abertura é o homem.
Há duas semanas, no sul do país, casas e escolas desmoronaram em Zaruma, pequena cidade a 50 quilômetros de túneis subterrâneos construídos ilegalmente por garimpeiros clandestinos.
Maior cascata do país desapareceu
Em fevereiro de 2020, foi a vez de a cascata mais conhecida do Equador, de 150 metros de altura, desaparecer. “Eu estava no meu sítio e me surpreendi quando um buraco de 10 metros de diâmetro se abriu no rio Coca. Depois, aumentou para 30 metros e, em duas semanas, a cascata São Rafael tinha sumido”, relembra o guia turístico Jairo Cabrera, que vivia da renda das visitas ao local. “Agora, não temos mais a maior e mais bela cascata do país”, lamenta.
Desde então, a dolina de São Rafael provoca um fenômeno de erosão que destrói os córregos do rio e ameaça até a central hidrelétrica de Coca Codo Sinclair, a maior do Equador.
Os especialistas não chegaram a um consenso sobre as causas do fenômeno: alguns apontam que a cascata se encontrava em uma área com forte atividade sísmica, mas outros apontam a construção da barragem desestabilizou o solo.
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Nota técnica do ministério diz que vacina da covid para criança é segura e contraria governo
Lauriberto Pompeu 4 horas atrás
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Governo Bolsonaro recua e cancela autorizações de garimpo na Amazônia
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BRASÍLIA - A Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, do Ministério da Saúde, elaborou uma nota técnica em que reforça a segurança da aplicação das vacinas em crianças. "Antes de recomendar a vacinação da covid-19 para crianças, os cientistas realizaram testes clínicos com milhares de crianças e nenhuma preocupação séria de segurança foi identificada", escreveu a chefe da pasta, Rosane Leite de Melo.
A posição foi externada ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de uma ação movida pelo PT, quando a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu mais prazo para fornecer um calendário de vacinação contra o coronavírus. A manifestação contraria as falas recentes do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que têm colocado em xeque a segurança do imunizante da Pfizer na faixa etária de 5 a 11 anos.
A nota também lembra que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu autorização emergencial para o uso de vacinas contra o coronavírus em crianças no dia 16. O produto da Pfizer também já é aplicado no exterior, em lugares como Estados Unidos e Europa.
Para reforçar a segurança dos imunizantes, a secretaria do ministério ressaltou ainda que as vacinas são acompanhadas "com o programa de monitoramento de segurança mais abrangente e intenso da história do Brasil". "O PNI (Plano Nacional de Imunização) monitora a segurança de todas as vacinas covid-19 depois que as vacinas são autorizadas ou aprovadas para uso, incluindo o risco de miocardite em pessoas acima de 12 anos de idade", disse a pasta.
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que não há contradição entre os esclarecimentos dados pela secretaria ao STF e a posição do governo. A pasta declarou que já se manifestou favorável à vacinação de crianças e que decidirá em janeiro se a recomendação será mantida. "No dia 5 de janeiro, após ouvir a sociedade, a pasta formalizará sua decisão e, mantida a recomendação, a imunização desta faixa etária deve iniciar ainda em janeiro", disse.
Queiroga quer exigir prescrição médica para aplicar doses nesta faixa etária
No dia 19 de dezembro, em cerimônia da Caixa Econômica Federal, o presidente afirmou que a imunização infantil é "coisa muito séria" e defendeu medidas que podem dificultar o acesso à vacina, como a apresentação de receita médica. "Criança é uma coisa muito séria. Não se sabe os possíveis efeitos adversos futuros", disse Bolsonaro .
O Conselho de Secretários Estaduais da Saúde (Conass), porém, já afirmou que não vai cobrar a prescrição para aplicar doses nesta faixa etária. Especialistas dizem que a exigência atrasaria a vacinação e dificultaria o acesso à proteção, sobretudo para as famílias mais vulneráveis.
Queiroga foi na mesma linha do chefe e minimizou as mortes de crianças por covid. “Os óbitos em crianças (por coronavírus) estão absolutamente dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais. Ou seja, favorece o Ministério da Saúde, que tem de tomar suas decisões em evidências científicas de qualidade", afirmou no último dia 23. Apesar do que disse o ministro, mais de mil crianças morreram pela doença.
Antes de decidir se libera ou não em nível nacional a vacinação de crianças, o governo quer aplicar uma consulta pública sobre o tema. A previsão é que uma decisão seja tomada apenas a partir do dia 5 de janeiro.
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